sábado, novembro 25, 2006

24 de Novembro de 2006

Outra vez?

Sempre que estreia um filme novo do James Bond, o ritual repete-se. Durante semanas a fio lá vêm injecções televisivas massivas de filmes do 007, sejam eles com o carismático Sean Connery, o extrovertido Roger Moore, o sorumbático Timothy Dalton ou o irreverente Pierce Brosnan.

Admito que gosto dos filmes do agente secreto ao serviço de Sua Majestade criado por Ian Flemming e que é, por certo, o mais famoso agente secreto, a par do Detective Mário Costa. Aprecio sobremaneira a sua elegância única e a destreza que lhe permite cair sobe um lamaçal e sair com o fato impecavelmente limpo. E quem não se imaginou já ao volante de um Aston Martin, dele fazendo “gato-sapato”? Eu, como apreciador confesso de carros ingleses, não o escondo. Eu já me imaginei.

Gosto ainda das Bond Girls, gosto do ambiente de glamour dos casinos, da calma com que se esbofeteiam vilões, do estilo com que se aniquila o mal, gosto do enredo de uma história em que a classe vence o piroso.

Em suma, gosto de ver filmes do James Bond. Mas nem tanto assim. Assim até cansa. O que é de mais é erro…

Devia servir-se estes filmes do mesmo modo que com o Vodka Martini, shaken but not stirred, com moderação.

Prédios com lojas em baixo, para quê?

Se há tendência que, por muito que se faça, será praticamente impossível contrariar, é a da concentração da compra em grandes superfícies, centros comerciais e parques de retalho.

Já assim o foi pela Europa fora – salvo raras e honrosas excepções de algumas ruas – e cá, como lá, cada vez mais acontecerá o mesmo.

É um facto. Toda a gente sabe que é um facto. O comércio, mesmo o de ruas do centro das cidades, pena. As associações de comerciantes bem tentam, com campanhas mais ou menos eficientes, evitar o inevitável.

E mesmo assim, continuam-se a construir “galerias” comerciais por baixo de tudo quanto é prédio e casa. Prédio esse que pode estar em Castelões, ou em Leitões. De Rendufe a Polvoreira. Para quê? E para quem? Que todos os prédios têm – vá-se lá saber porquê – no mínimo, um café, já nós sabemos. Para que servem as outras lojas da “galeria” é que ninguém me explica.

Basta dar uma volta pelo concelho para constatar que cerca de metade dessas lojas, se não “morreram”, estão em coma. Mas insistem. Batem na mesma tecla.

Os miserabilistas e acomodados

Temos de nos mentalizar que estamos na II Liga… é a frase do momento. Não podemos brincar com os nomes dos adversários, dizem.

Tudo bem que temos de nos mentalizar para a triste realidade: Puseram o Vitória está na II Liga. Mas temos também, por isso, de nos habituar a vê-lo como não favorito nessa divisão? Temos de nos acomodar ao miserabilismo vigente? Não será por nos termos já mentalizado em demasia, de que a nossa realidade é esta, que trememos antes de jogar com qualquer portento do futebol mundial, tipo Estoril?

A verdade é só uma. Esta equipa não foi preparada convenientemente para a subida de divisão.

O que o Vitória está a passar é uma vergonha. O que nos vale é que, sob a capa de ser competitiva, a II Liga é ainda uma vergonha maior. Se esta época não estivesse a ser tão terrivelmente fraca, nem quero imaginar…

O Vitória tinha obrigação de ter uma equipa à altura dos seus pergaminhos. Os adversários de II Liga deviam “tremer” só de pensar em jogar contra nós. Mas não. Antes pelo contrário.

Tudo o resto que se diga, ou escreva, é folclore.

Ou vai ou racha

Foi inaugurado na passada quinta-feira o Ferrara Plaza, um centro comercial, em Paços de Ferreira, que faz corar de vergonha o “nosso” chópingue. Mas não é o tamanho que interessa.

O que me saltou à vista foi o investimento de empresas vimaranenses. Motivo de orgulho. Dos têxteis-lar, ao vestuário e calçado, são vários os operadores de Guimarães presentes nesse centro comercial.

Está-me a parecer que Guimarães, após uns anitos de marasmo e que tão mal nos fizeram, Guimarães está a voltar a ser empreendedora. Quiçá uma segunda geração esteja já a preparar-se para voltar a pôr Guimarães no mapa empresarial de Portugal.

Parece-me também que o tempo é disso mesmo. Ou Guimarães volta a ser o que foi, ou estoura. E depois seremos Património da Humanidade e Capital da Cultura. E só isso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

17 de Novembro de 2006

Ajudem-me a fazer esta conta, que eu não chego lá…

Segunda-feira lia nos rodapés multicoloridos dos telejornais, aquela salgalhada cromática e agressiva à vista, que nos distrai da notícia e nos chama a atenção para tudo menos o pivot ou a peça, que devido ao tempo – calor a mais para a altura do ano – as vendas tinham caído 50%. Mais uma vez? Mais 50%?

Ora aqui está um dos mais misteriosos mistérios (passe a redundância) deste nosso Portugal. Neste Novembro caíram 50%. No Verão já tinham caído 40 e tal por causa de qualquer coisa. E no ano passado, por causa do frio, ou do calor, ou dos chineses, ou dos espanhóis, ou dos passarinhos que não cantaram suficientemente afinados, houve das maiores quebras de que há memória: foi terrível quase 60%...

Quebrou em relação a quê? Ao mesmo período do ano anterior? Ou relativamente àquilo que o comerciante queria vender, ou achava que ia vender?

Alguém acredita que multiplicando todas estas percentagens pelas quais temos vindo a dividir para encontrar as quebras, chegamos ao valor real daquilo que já se vendeu? Eu não. Soa-me a que nem as quebras são e nem as vendas foram tão grandes quanto o peixe que nos “vendem”. Se é a televisão, sem nada melhor, que recorrentemente induz os comerciantes a dizer as mesmas coisas nos mesmos períodos do ano ou se é mesmo “choradinho” patológico, não sei.

Independentemente da resposta à anterior dúvida existencial, o que sei é que já satura. Pode até ser verdade, mas já ninguém acredita. Desde que me lembro de ser gente, que as vendas quebram sempre em valores perto da metade. Duas vezes por ano, pelo menos.

Afinal quanto vendiam os comerciantes há uns anos atrás? Quantas dezenas de milhar por cento vendiam a mais do que vendem hoje?

Quanto a esta pergunta, não me parece que alguém me consiga “resolver este problema”. Não é conta fácil…


Os figurantes das low cost

Por motivos profissionais, cada vez mais me dava imenso jeito que houvesse uma ponte aérea Porto – Madrid. Mas não há.

Saindo do Porto, o voo da manhã chega a Madrid quase de tarde, o que para quem precisa de trabalhar e não pode ir de véspera (e por isso opta pelo avião) inviabiliza a nacionalista pretensão de “voar nacional”. Resta-me a solução Vigo. Uma horita de carro para chegar a um aeroporto que me faz lembrar o de Pedras Rubras há uns anos (quando éramos um país pobre e menos desenvolvido que Espanha e não podíamos ter aerogares de luxo) e apanho o avião das 7:00 da manhã. Uma horita depois estou em Madrid, mais que a tempo de a meio da tarde estar de regresso, depois das reuniões que me levaram à capital espanhola.

Do aeroporto de Vigo à mesma hora saem dois voos para Madrid, um é da Ibéria, o outro duma low cost. Escusado será dizer que eu fui no da Ibéria. Este “escusado será dizer”, dito assim até pode parecer que é por opção, ou porque faço mesmo questão de não voar em low costs. Nada mais falso. Principalmente numa viagem de uma hora, trocava de bom grado o meu bilhete – que custou para cima de um dinheirão – por um na “Air Europa”. Oh se trocava…

O problema é que quando preciso, nunca tenho lugar em companhia nenhuma de preços baixos. Está sempre tudo cheio e só três meses depois da minha necessidade de locomoção é que teria “vaga”.

Começo a achar que isso nem existe, as low cost são um mito urbano. As pessoas que vejo a passar por mim, sorridentes, com bilhete da Air Europa na mão, felizes por irem para a mesmo sitio e da mesma forma que eu, com a pequena diferença de o meu bilhete dar para pagar cerca de 20 dos deles, são figurantes contratados para gozarem com os que não podem planear viagens com três meses de antecedência…


Um bocadinho de preconceito puro e duro

Os espanhóis são o melhor povo do mundo a falar castelhano. E deviam quedar-se por aí. Poupavam-nos o decadente espectáculo de ouvir as hospedeiras e comandantes dos voos a tentar falar espanglês. “Leidiz and gentelmén, diz iz iór captéin éspiquingue.”

Se calhar, reconsidero. Que continuem a tentar. Assim até arranjei assunto para este curto texto.


A terra dos cinzentões

Já estava a tardar. Nesta terrinha, tudo o que saia da “medida standard” já é olhado de soslaio. Na terra dos grupos com poiso certo, das rotinas, dos compadrios, onde ninguém tem sucesso por mérito próprio – deve-se sempre ou a cunhas, ou à família, ou a negócios ilícitos – não era de estranhar que o estilo desempoeirado que adopto para a escrita desta coluna de opinião começasse a incomodar o status quo.

Aparentemente não foi só a mim que me caiu mal aquela história das letras a anunciar o pequeno-almoço no Estádio. A mim caiu-me mal ler, mas houve a quem caísse mal o eu ter lido e brincado com a situação. Azar. Não há vacas sagradas e o Vitória – e atenção que ninguém é mais vitoriano que eu – é e será merecedor de reparos meus, em relação àquilo que estiver bem, mas também (como soe dizer-se e está em voga) antes pelo contrário. Do Vitória, de Guimarães, do País, da Portugalidade, de amigos, de coisas que, no fundo têm apenas um denominador comum. Mexem comigo.

E tanto digo mal, como digo bem. Conforme me ditar a consciência. A minha, não a “comum”. O estilo jocoso, brincalhão, desempoeirado, leve, desabrido (aplicar ou adicionar a gosto aquilo que mais convier) é o meu. Com graçolas que podem nem ter graça nenhuma. Tiradas mais ou menos felizes. Deixo a seriedade para quem quer e para quem não sabe ser de outra forma. E não critico ninguém por levar as coisas demasiadamente a sério. Assim como quero que entendam que esta é a minha forma. Este é o meu estilo. Quem gosta lê, quem não gosta, passa à frente. Obrigado.


Caro João Almeida

Li com satisfação e agrado o seu texto da passada semana. Agrado redobrado pois vi que o dedicou em exclusivo à resposta à minha “simplória" provocação. Não sou merecedor de tanto. Não me leve tão a sério e nem veja o meu reparo como político, abstendo-me eu, por isso e não por falta de argumentos, de responder à parte ideológica e de mambo jambo de cartilha, até porque deixei o leitor de cassetes em casa. Sou um mero curioso, um eleitor com filiação num partido, mero militante de base, ainda que cada vez mais afastado da vida política, muito devido ao pragmatismo a que a minha profissão obriga e que me leva a ter cada vez mais dificuldade em entender essa vossa política.

Mas aprecio a coerência. Respondeu-me com um poema de um autor que, sou sincero, desconhecia e por tal conhecimento me ter proporcionado agradeço-lhe. Mas não resisto a mais uma pequena provocação (o que seria do quotidiano sem estas pequenas coisas que lhe dão o sal e a pimenta?): Achei interessante o modo que encontrou para me responder. Bonito poema. E curiosamente tem exactamente o mesmo efeito prático que teria tido o tal texto do grupo parlamentar da CDU na AM, se o mesmo tivesse sido aprovado.

sexta-feira, novembro 10, 2006

10 de Novembro de 2006

A faixa da direita não é só para os camiões.

Cada vez mais acho que as auto-estradas de 3 faixas são dos piores investimentos que se pode fazer em Portugal, enquanto não se fizer uma campanha massiva de informação.

Urge sensibilizar os condutores para o facto de que não é desprimor nenhum para ninguém conduzir na faixa da direita, havendo 3 faixas de rodagem. Não desprestigia e deve até ser usada. Ninguém vai pensar que o seu carro é um camião, não se preocupe. Não, o seu carro não amua por isso.

Pense comigo: Se assim não fosse, para que se gastaria milhões de euros a construir uma faixa, para além daquelas que é normal uma via como aquela ter? No limite, se fizerem mesmo muita questão de irem a “vegetar” na faixa do meio, pelo menos usem o retrovisor, para que se possam chegar ligeiramente para o lado, no caso de virem duas viaturas atrás…

Amnistia

Este era o termo que vulgarmente se usava para designar o perdão de multas decretado pelo Presidente da República, normalmente por altura da visita de alguém importante – lembro-me de repente da visita do saudoso Papa João Paulo II – e que tanta gente fez feliz no passado.

Ora, eu desde que tirei carta de condução e já lá vão uns anos, de tal nunca beneficiei. Acabou. Não voltou a acontecer. Será algo pessoal? Algo contra mim? Foi algo que eu fiz? Ou que não fiz? Ou a crise é tal que o Estado não pode prescindir de tais receitas sob pena de por em causa o “equilíbrio” das contas públicas.

Todas as multinhas que me passaram, que remédio tive senão pagar… Algumas delas, sempre esperando pelo tal “perdão” que não chegava, até foram apimentadas com juros de mora e tudo.

Dou por mim a pensar que mais me valia ter sido bombista, do que ter sido “apanhado” a falar ao telemóvel enquanto conduzia. É que puxando pela cabeça, desde que tirei carta a única amnistia de que me lembro, foi a do nosso ex-presidente, esse grande democrata, Mário Soares às FP-25.

Pobre de mim, que só sou um bocadito acelera…

Estranho sentido de posse

Dou por mim, recorrentemente, a imaginar a seguinte cena numa assembleia municipal, por exemplo, de um qualquer concelho recente, como por exemplo, totalmente ao acaso e aleatoriamente sorteado, a Trofa.

Do burlesco cenário constam uns deputados municipais indignados, populares revoltados e gritos, muitos gritos. E berros também. Todos acham um escândalo. Todos sem excepção. Todos estão de acordo, mesmo aqueles que politicamente estão nos antípodas. Uma injustiça, dizem.

Não percebo – no meu pensamento – muito bem de que falam, até que alguém diz ser imperioso exigir à concessionária das auto-estradas que mude o nome da área de serviço. Santo Tirso, nunca. Trofa já. Ontem era tarde. Faça-se!

Uns tempos depois, imagino o mesmo cenário, mas agora numa assembleia de freguesia. Exige-se a inclusão de Coronado, a par de Trofa na sinalética indicativa da tal área, pois a não existir o nome da freguesia seria um acto de centralismo inaceitável e tendencialmente opressor da freguesia.

Não sei se tal assim, de facto, se passou. Foi a minha fértil imaginação – quem passa muito tempo ao volante sabe do que falo – a dar de si. Mas não deve ter andado longe disso. Só assim se compreende que a área de serviço que foi de Santo Tirso, agora seja de Coronado / Trofa e a antiga área da Mealhada, tenha sido renomeada para Mealhada / Cantanhede.

Parece-me que estes preciosismos têm tanta pertinência quanto a parangona que faz a C. M. de Paços de Ferreira, numa das entradas da cidade, num arco enorme que paira sobre a estrada e que reza assim: Bem-vindos a Paços de Ferreira, o 8º Concelho mais Jovem do País. Que raio de argumento é esse? Isso é lá coisa para se fazer publicidade?

A manter-se a tendência, não tarde ver-se-á em outdoors publicitários, pagos por todos, nós frases como: O 3º concelho com mais comércio de Trás-os-Montes; Região Oeste: Temos quase tantos moinhos como a Holanda ou É bom viver em Braga.

Lembram-se de cada uma…

Porque será?

O Joaquim, depois de dormir numa almofada de algodão (MADE IN EGIPT), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (MADE IN JAPAN) às 6 da manhã.

Depois de um banho com sabonete (MADE IN FRANCE) e enquanto o café (IMPORTADO DA COLÔMBIA) estava a fazer na máquina (MADE IN CHECH REPUBLIC), barbeou-se com a máquina eléctrica (MADE IN CHINA).

Vestiu uma camisa (MADE IN SRI LANKA), jeans de marca (MADE IN SINGAPORE) e um relógio de bolso (MADE IN SWISS). Depois de preparar as torradas de trigo (PRODUCED IN USA) na sua torradeira (MADE IN GERMANY) e enquanto tomava o café numa chávena (MADE IN SPAIN), pegou na máquina de calcular (MADE IN KOREA) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (MADE IN THAILAND) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de acertar o relógio (MADE IN TAIWAN) pelo rádio (MADE IN INDIA), ainda bebeu um sumo de laranja (PRODUCED IN ISRAEL), entrou no carro (MADE IN SWEDEN) e continuou à procura de emprego. Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (MADE IN FINLAND) e após comer uma pizza (MADE IN ITALY), o Joaquim decidiu relaxar por uns instantes. Calçou as suas sandálias (MADE IN BRASIL), sentou-se num sofá (MADE IN DENMARK), serviu-se de um copo de vinho (MADE IN CHILE), ligou a TV (MADE IN INDONESIA) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em condições em PORTUGAL.

O texto acima não é de minha autoria. Tentei encontrar a versão original, de modo a que pudesse dar o crédito a quem escreveu este pedaço de prosa, que eu pessoalmente acho muito interessante. Não consegui. Já são tantos os blogs e sites que contêm este texto sem citar o seu autor que, lamentavelmente, lhe “perdi o rasto”. Fica no entanto um texto que não me importava nada de ter escrito.

sexta-feira, novembro 03, 2006

03 de Novembro de 2006

Caso de polícia

Há umas semanas atrás, senti necessidade de vir a terreiro dizer de minha justiça, em relação à actuação – na minha modesta opinião, mais que justificada – de agentes da autoridade, no decurso de perseguições a criminosos, que se viram forçados a recorrer ao uso da arma para que parasse a louca perseguição automóvel. Questionava o que mais faltaria para que se justificasse o uso da arma.

Esta semana, a fazer fé em relatos de vitorianos que me merecem toda a credibilidade, tenho de dizer alto e bom som que a actuação da polícia no jogo do Estádio do Mar foi uma vergonha! Já nem falo da (des) organização do jogo, ao nível da agremiação de bairro que o Leixões nunca deixará de ser. Falo mesmo da inabilidade – prefiro pensar que foi disso que se tratou – das forças de autoridade em assegurar uma saída daquele “quelho” em segurança, aos adeptos do Vitória, adeptos esses que pagaram um balúrdio (com aquelas condições, de borla era caro). Senão vejamos:

Depois de durante o jogo terem sido alvo do arremesso de garrafas de vidro, pedras, caixotes do lixo (!?!?!), no final, para além de cobardes agressões em bando (ou matilha), a vimaranenses em menor número, a emboscada premeditada no IC1 – troço entre Matosinhos e a rotunda AEP - e a estupidez de mandar os autocarros da claque voltarem pelo mesmo caminho até à entrada da A7, trajecto durante o qual foram alvo fácil – aquilo a que os ingleses chamariam sitting ducks – de leixonenses e boavisteiros (sim, também os havia) que apedrejaram os autocarros da claque, bem como viaturas particulares de famílias vitorianas.

É como mandar alguém para a toca do lobo. Isto cabe na cabeça de alguém? Na minha não. E na de quem é pago para zelar pela segurança dos cidadãos também não devia caber.

O que realmente me enerva é que cá em Guimarães, se jogamos contra o Carcavelinhos, que toda a gente sabe, devido ao historial de violência nos jogos entre os nossos clubes é um jogo de altíssimo risco, as ruas cá do burgo, mormente naquele triângulo das Bermudas à volta do Estádio, qual cenário de Mad Max enchem-se de robocops, prontinhos a correr à bastonada, de preferência vimaranenses.

Dá vontade de perguntar se uns são filhos e nós enteados.

Não que eu ache mal proporcionar segurança a quem quer ver futebol em paz. Claro que não. Mas que seja assim em todo o lado. Ou há moralidade, ou comem todos. Não podemos “comer” só nós…

O estádio, Mar adentro, por favor.

Esquisito… Nunca dei pela existência de qualquer rivalidade com o Leixões. Juro que não. E não me parece que a atenção que dispenso ao Vitória seja pouca e por isso me tenha passado ao lado essa “coisa”. Mas agora parece que é moda…

A comunicação social desportiva nacional, na ânsia de notícias, passou a última semana a reavivar memórias de há 18 anos… Como se o Leixões alguma vez tivesse sido nosso par. Não é nosso par quem quer! E não é (ou pelo menos não era) nosso rival quem anda a agoniar pelos escalões secundários há quase duas décadas. Isto não é para quem quer.

Essa mesma imprensa, tão afoita em aprofundar essa matéria esqueceu-se do dever de informar correcta e convenientemente os leitores, no que toca aos incidentes durante e pós-jogo. Alapado na bela da secretária, houve quem atribuísse a culpa dos incidentes, vejam lá, aos vitorianos que a Matosinhos se deslocaram. Por insultarem os leixonenses, pasme-se. Por essa ordem de razões, em todos os estádios do mundo, semanalmente haveria mortos e feridos… As hostilidades tinham sido abertas pelos insultos dos vitorianos. Antes disso, porém, já os adeptos vimaranenses tinham tentado deitar abaixo a rede que dividia as bancadas e já tinham também cumprido o ritual tão deles que é arrancar as cadeiras para as lançar para o campo.

Vergonha. Tenham vergonha. Para essa cobertura jornalística, prefiro não ter nenhuma. Estas citações em itálico são do texto de Sérgio Pereira do maisfutebol.

Muito do que se passou fora de campo deveu-se ao empolamento e invenção de uma rivalidade que nunca existiu, por parte de jornaleiros como este.

Aliás, ainda me lembro, já lá vão alguns anos, de um amigável na pré-época, disputado no Estádio do Mar. Na altura nada se passou e fomos muito bem recebidos. Hoje, depois do passado domingo, quero mais é que o estádio vá …. mar adentro. Mesmo sabendo que o Leixões tem gente boa. Mas afinal de contas, quando a nós se referem, normalmente também é como vândalos, violentos, arruaceiros e outros epítetos que tais. Assim, de que vale ter a fama – e dela não nos livramos, ainda que pareçamos nos últimos tempos “domesticados” – se não pudermos dizer e fazer umas alarvidades como esta, deste título… Eu até sou do clube que tem por ritual muito nosso de arrancar cadeiras e lança-las para o campo… Por isso, posso.

Algumas dúvidas sobre a Assembleia-Geral

- Quantas são afinal as vezes que é necessário recontar uma votação? Depende se é favorável ou não ao que a mesa quer que a contagem “dê”?

- A Direcção não responde às dúvidas colocadas pelos associados quando o deve fazer. Deve o Presidente da Direcção usar da palavra entre recontagens? O que diria então, que não pudesse ter dito aquando do período normal para esse efeito?

- Por falar em dúvidas. Se aumenta o número de sócios e se fazem parangonas acerca disso, não é legítimo esperar que as receitas de quotizações aumentem?

- O argumento de que as contas foram chumbadas por quem nem sequer as viu não me parece muito convincente. Se tivessem sido aprovadas, essa questão também seria levantada?

- Tenho ouvido que a não aprovação do relatório e contas foi uma “moção de censura” à Direcção. Se tivesse sido aprovado, teria eu ouvido falar em moção de confiança?

- Afinal o Sr. Presidente já não acha que é sua obrigação devolver o clube ao escalão de onde o tirou, basta que assumam os seus avais para que abdique desse sonho? E se não conseguir que o façam, conta perpetuar-se, desinvestindo e rezando para que as receitas aumentem?

- Onde entra o tal “projecto” no meio disto? E que projecto é esse?

Eu sei que estas são perguntas retóricas e disso não passarão, até porque o lugar para as mesas serem colocadas é a reunião magna. O que mais custa é que algumas foram mesmo colocadas e tiveram a mesma resposta que eu vou ter…

Civismo em português

Esta cena passou-se numa grande superfície de Guimarães, ali para os lados da Cruz D’Argola, cujo nome começa em IN, acaba em CHÉ e pelo meio tem as letras TERMAR.

Uma senhora, muito bem posta, vai a pegar no seu carrinho de compras, quando repara que o mesmo tem uma série de revistas e folhetos promocionais. Que aborrecimento.

Ao lado de um caixote do lixo, o que é que a senhora decide fazer? Deitar o lixo ao lixo? Não, claro que não. Com a cara mais enfadada do mundo por a terem sujeitado a semelhante humilhação, pega nos folhetos e trás… carrinho da frente com eles. Quiçá mais uns minutos e uma outra senhora, com uma cara não menos enfadada, faça o mesmo… E outra e outra. Deve ser este o conceito vimaranense de reciclagem…

sábado, outubro 28, 2006

27 de Outubro de 2006

A retoma é tão boa, não foi?

É com redobrado regozijo, meus amigos, que escrevo esta coluna, nesta semana. Afinal de contas, a crise acabou. Quem o disse foi Manuel Pinho, nosso insigne ministro. Esperem. Notícia de última hora. Interrompemos a emissão para informar que, afinal não. A crise não acabou. Ninguém no seu perfeito juízo diria tal coisa. Quem disse que o que tinha dito não poderia ter sido dito por alguém no seu perfeito juízo? Manuel Pinho, himself, também. Pois…

Lembram-se da coluna da passada semana. Dos praças que almejavam a ser generais. E da legitimidade que qualquer um pode ter a ser general num governo em que só temos ministros com a habilidade de praças. Era escusado darem-se ao trabalho de ilustrar tão bem a minha teoria….

Rivoli Okupado

É lugar comum aquilo que vou dizer. Eu sei. E assumo. Já toda a gente ouviu isto, pelo menos umas quinhentas vezes. Agora são quinhentas e uma. Vivemos na ditadura da televisão. Os canais de televisão fazem a agenda e impõem-nos aquilo que temos de considerar como verdadeiramente importante.

Aquela ocupação do Rivoli é disso exemplo crasso. Junte-se meia dúzia de gunas, com lenços à Arafat e vestidos à bloquista que compra a roupa na feira da ladra, que já de si gostam de pouco mais fazer do que fumar uns trolorós e tocar batuques. Adicione-se umas noites frias, onde até dá jeito ter um abrigo. Ponham em todos eles um esgar de dor, sofridíssimo, provocado pelo sacrilégio de privatizarem a gestão de uma casa onde, quase de certeza, nunca nenhum deles antes tinha entrado. Uns cartazes, umas “boinas” à Bob Marley, umas t-shirts com a cara do Che Guevara e muito, mesmo muito charro.

À partida não parece uma noite muito diferente de muitas, inclusive no centro histórico de Guimarães. Não fora estarem supostamente a protestar, invadindo um edifício público, fechado, logo cometendo um ilícito.

Agora, alguém me explica o porquê da demorada e extensiva cobertura que as televisões deram a tão pobre e pouco participada manifestação “popular”. Ainda por cima com o decor que acima descrevi…

O politicamente correcto

Cada vez mais me irrita profunda e solenemente a corrente vigente do politicamente correcto. E cada vez mais me lembro do sketch do Ricardo Araújo Pereira, do falam, falam…

Vem isto a propósito de um texto que foi apresentado pela CDU na última Assembleia Municipal (se eu fosse politicamente correcto diria por um partido com representação na Assembleia Municipal de Guimarães) contendo uma séria de vacuidades e clichés.

Não vou precisar de que se tratava ao certo, até porque creio ter saído algo sobre esse texto aqui no NG há duas semanas.

A única coisa que me apetece mesmo perguntar é o seguinte: Se porventura a AM tivesse aprovado e subscrito esse texto, cuja não aprovação me pareceu ter sido lamentada, o que melhoraria na vida dos vimaranenses? Que efeito prático teria a anuência a um texto que diz tanto podia dizer “temos que ser solidários” como também “temos de diminuir o desemprego”. Mas alguém discorda? Alguém no uso pleno das suas faculdades não concordaria? Claro que não. É obrigatório concordar com tais afirmações. Presumo que os três partidos que votaram contra o fizeram porque acharam que, votando a favor ou contra o efeito do mesmo seria o mesmo da abstenção.

Temos o seu pequeno-almoço

Nunca pensei que essa frase me fizesse tão mal ao estômago. Não pelo pequeno-almoço em si. E nem pelo português da frase. Fez-me mal porque a vi onde vi. No chão do bar de apoio à bancada onde vejo futebol, no D. Afonso Henriques.

Jogar ao domingo de manhã já é uma decadência. Lembrarem-nos num domingo à tarde do facto de que nesta época jogamos de manhã, com uns pezinhos amarelos pintados no chão, a guiarem-nos até essa cortante frase, ou é gozo ou é sadismo.

domingo, outubro 22, 2006

20 de Outubro de 2006

Sócrates e os generais

Foi um dos temas da semana. A carreira docente. Professores de cabelos em pé. Greve. Incontornável. Não poderia deixar de focar isto. Ficou-me acima de tudo a frase de Sócrates, que cito de cor, “Nem todos os praças podem chegar a generais”. Seria verdade irrefutável. Mas não é bem assim. Se assim fosse, dir-se-ia também que nem todos os políticos chegariam a ministros. Olhando para o governo PS vê-se que não é verdade. Neste caso até se poderia dizer que o “nem todos” poderia ser substituído pelo “qualquer um” na frase bélica do primeiro-ministro.

Norton como general

Essa de considerar o Gil Vicente a equipa mais forte da Liga de Honra, não lembra ao diabo. Pelo menos não devia lembrar. Nós ao Gil Vicente temos obrigação de ganhar cá, lá e pelo caminho. E temos de nos assumir como favoritos em qualquer jogo contra eles. Um vitoriano – já para não falar num sócio do Vitória – nem pensa sequer em dizer que o Gil Vicente é melhor que nós. Nem sequer somos comparáveis, quanto mais…

Uma frase derrotista como essa, vinda de quem “idealizou” a equipa e descobriu que no 4º escalão francês se joga quase ao nível da nossa 1ª Liga (citei de cor), leva-nos a pensar que afinal andamos é a ser cobaias. E que o valor da equipa em que tão piamente acreditava e que tão minuciosamente dissecou e exaltou em grande entrevista há uns meses, afinal, era só show-off. O desânimo vai-se instalando. A descrença grassa. Aquele arreganho que era timbre dos vitorianos está a dar lugar a uma acomodação. Um comodismo. Agora fala-se em males menores, ao não ganhar em Barcelos. Minimiza-se o falhanço. Agora é mais “Lá trouxemos um pontinho de Barcelos”.

Temos de rejubilar? Atendendo ao valor que a equipa já demonstrou (não) ter, temo bem que sim…

Assembleia-Geral

Vai haver Reunião Magna do Vitória. Apresentação de contas. E depois os 30 minutos da praxe para debater assuntos de interesse do clube. O decurso da mesma dependerá das bolas que entrem na baliza até lá. Ou não.

Deixo apenas uma sugestão, ou não estivéssemos nós no século XXI. Um suportezinho audiovisual não seria algo a considerar numa apresentação de relatório e contas? Não é imperioso que seja algo graficamente elaborado, tipo “Juntos Somos”, mas pelo menos algo mais visual que a voz de um director a debitar números. Um “powerpoint” já ajudava. É bem verdade que os interessados podem ir à sede consultar esse mesmo relatório. Não é menos verdade que a esmagadora maioria dos possíveis interessados depois de consultar esse mesmo documento vem menos informado do que antes. Mas a bem da transparência… não ficava mal.

http://4800guimaraes.blogspot.com

O prometido é devido. De quando em vez, aqui na coluna, farei referência a blogs ou sites que, preferencialmente, estejam relacionados com Guimarães. Agradeço também que me informem por e-mail de blogs com este objecto, já que mal de mim se “os” conhecesse a todos. Começo esta “rubrica” pelo 4800GMR.

Um blog que leio regularmente e que na maioria das vezes me diverte. Uma abordagem diferente e uma crítica mordaz ao que no burgo se vai passando. Uma análise despretensiosa ao modo de ser vimaranense, por vimaranenses e cheia de vimaranensidade.

Aproveito para felicitar os autores do blog pelo seu primeiro aniversário. E também, claro está, pelo conteúdo do blog. Parabéns!

http://colunacomvistasobreacidade.blogspot.com

Na passada semana disse que poria online o blog da coluna. Não o fiz. Azelhice minha. Podia pôr um letreiro “Devido a problemas técnicos, aos quais somos totalmente alheios, ainda não nos foi possível concluir”. Mas era mentira. Os problemas técnicos aqui são provocados por falta de jeito. Ponto final. Vou tentar coloca-lo online o mais rapidamente possível.

13 de Outubro de 2006

Capital Europeia da Cultura

A Ministra da Cultura, em Guimarães, afirmou que nós vamos ser capital Europeia da Cultura em 2012.

Motivo de orgulho, claro. Temos de ser audazes e tentar capitalizar esta oportunidade de afirmação de Guimarães como cidade mais cosmopolita. Tentar com que não sirva este evento apenas para orgulhos e vaidades vãs e bacocas. Poderá servir como um ponto de viragem. Desta data em diante tudo poderá ser diferente. Depende apenas daquilo que com esta nomeação soubermos fazer.

Não querendo ser desmancha-prazeres, espero apenas que esta prenda do governo Sócrates não traga água no bico. Infelizmente sou levado a ficar de pé atrás. Espero esta errado e que este presente não seja envenenado e entregue como contrapartida de algo que nos venham a tirar ou a não dar…

Eu sei que tinha dito que não devíamos sê-lo, mas, sendo só um bocadinho “bacoco”, gostava saber se isto passa ao Mesquita Machado só com Rennie.

O que mais seria preciso?

Um jovem, arguido como alegado autor e co-autor de vários crimes, incluindo assaltos com recurso a arma de fogo e arma branca na via pública, assim como de roubo de viaturas, encontrando-se condenado a quatro anos de pena suspensa, em viatura roubada foge à GNR durante mais de uma hora, na zona de Vila Nova de Gaia. Durante a fuga, o indivíduo efectuou várias manobras perigosas, incluindo excesso de velocidade, circulação em sentido contrário em ruas e rotundas e chegou mesmo a desligar as luzes da viatura durante uma parte do percurso.

A GNR perseguia o prevaricador após este ter desobedecido aos sinais sonos e visuais, ou seja à ordem de paragem, dada pelos guardas.

Esta perseguição termina em tiroteio após, segundo os guardas, o indivíduo que se fazia acompanhar de duas jovens que tinha convidado e elas anuído em ir dançar, não ter parado perante bloqueio de nova patrulha. Com a agravante de ter dirigido a viatura em direcção aos agentes.

Pasme-se. Mesmo perante todo este cenário, há ainda quem ache que a acção da GNR foi exagerada. Um cadastrado, num carro roubado, desobedece duas vezes a ordem da autoridade, comete mais atropelos aos código da estrada numa hora que o comum dos mortais numa vida inteira, tenta atropelar agentes da autoridade. Falta alguma coisa? Queriam o quê? Que atirassem a velhinha HCESAR para o meio da estrada, na esperança que a mesma imobilizasse a viatura? Será que este não é um comportamento suficientemente perigoso que justifique o recurso às armas por parte de quem as pode usar para zelar pela ordem pública? Se não é, qual será? Teria de estar com sacos de droga e UZI em riste do lado de fora da carrinha? É que assim de repente só me ocorre mesmo isso para o filme estar completo.

Sou o primeiro a criticar quando acho que algum agente abusa da autoridade – o que não raras vezes acontece – mas sei também que urge pôr um travão no crescente desrespeito pelos agentes da autoridade e suas ordens. Afinal de contas é neles que depositamos a esperança de uma sociedade sem crime. COM tudo o que isso tem de bom. E também de mau.

Lobby pró-maduro

É impressão minha ou parece que há um lobby organizado contra o vinho verde?

Nos últimos tempos parece que é moda, mesmo vindo de minhotos, dizer-se que o verde é muito ácido, que o verde ataca o estômago.

Dá mesmo a sensação de quem tal ideia está de tal modo a ser interiorizada pela generalidade das pessoas que, não tarda nada, será quase tido como facto científico. E tal em nada beneficiará a nossa região. Bem pelo contrário.

Uma coisa tem que ficar esclarecida. O verde é ácido? È claro que sim. Não é João Pires…

E-mails

Gostava de agradecer os e-mails que tenho vindo a receber e pedir desculpa por não ter ainda respondido a muitos deles. Afazeres profissionais não mo têm permitido. Prometo que o farei brevemente.

Blog

Nas próximas semanas apresentarei, aqui na coluna, alguns blogs sobre Guimarães. Assim até vai parecer uma coluna moderna… No seguimento desta opção e após muito ponderar (cerca de 2 segundos e meio), decidi criar um blog e colocar online os textos publicados aqui no Notícias de Guimarães. Não esperem é nada de especial, pelo menos para já e ao nível gráfico. Será, na melhor das hipóteses, ao nível do texto. De qualquer das maneiras, aqui vai: http://colunacomvistasobreacidade.blogspot.com

06 de Outubro de 2006

Importa-se de repetir?

Por motivos profissionais tive de vir a Madrid, cidade na qual estou a escrever esta – hoje e só hoje – columna con vista sobre la ciudad. E nada mais poderia ter mais cabimento do que escrever isto em Madrid, aquela que para cerca de um terço dos Portugueses seria facilmente aceite como sua (deles) capital.

Não me saia da cabeça a sondagem do semanário Sol – que para quem não sabe é aquele jornal novo do segundo arquitecto mais conhecido de Portugal por feitos que nada têm a ver com arquitectura a seguir ao Taveira e que escrevia no Expresso uns editoriais incompreensíveis, na minha humilde opinião, bastante mal escritos mas que o próprio autor os tinha como injustamente não justificadores de per si da criação pela Academia Sueca Real de Ciências do Nobel de jornalismo e não menos injustamente, claro está, não lidos e retidos por todos os políticos lusos como se de uma Bíblia se tratasse – segundo a qual cerca de um terço dos portugueses gostava de ser espanhol.

Trinta por cento dos portugueses apoiaria a união com Espanha! Atentem bem ao português desta afirmação de castelhanismo. Sob a capa de iberismo, o que aqui é dito é que esta gente renegaria a Pátria e aceitaria até Juan Carlos como soberano…

Pobre D. Afonso. As voltas que deve ter dado no túmulo… Anda um homem, pela Pátria, a por a mãe em sentido, para isto. Triste sociedade esta, sem orgulho na sua Pátria. Triste sociedade de traidores. Aqui está o resultado do condicionamento pós revolucionário do ensino da história. Renega-se com esta leviandade uma das nações mais velhas do Velho Continente.

Que inversão de valores a que temos vindo a assistir. Sinceramente, acho repugnante este resultado. Nojento até. Espelho de uma nação na qual, se fora do “contexto futebol” se mostrar qualquer orgulho na bandeira (sentido lato) se é – em pleno século XXI – reaccionário. Num estádio, não. Até o mais “anti-fascista” saca de bandeira, empunha o cachecol e berra a Portuguesa. Fora dele, não. Claro que não. Perder “na bola” é que nem pensar. Tenho quase a certeza que muitos dos que votaram favoravelmente uma questão que nem deveria sequer ser colocada, foram os primeiros a “crucificar” Scolari porque perdeu – contra o que era costume – em Guimarães contra os nossos vizinhos e coabitantes de península.

Uma coisa dessas não devia caber na cabeça de ninguém. Nunca depois de se provar um café expresso em Espanha. Nunca depois de lá se comer bacalhau. Nunca. Nem mesmo antes.

Apenas me sobra uma réstia de esperança. Uma luz ao fundo do túnel. Não li a ficha técnica da sondagem. Espero que a mesma tenha sido feita na baixa de Lisboa. Se assim tiver sido, acredito que o suposto terço passa, no máximo a uns 5%, tal é a crescente rarefacção de tal espécimen (o português) nessa zona da capital.

E 5% acabo por aceitar. Mas não por respeitar. Ou compreender. Isso nunca.

Gaba-te cesta

Já no regresso – mais ou menos na zona de Vila Pouca, em cujo centro ainda tem de se passar pois a auto-estrada não está concluída – ouvia na TSF uma entrevista à primeira mulher portuguesa a doutorar-se em Oxford. Não consegui ouvir tudo. O que supostamente sobeja à senhora de Braga em talento, falta-lhe em humildade. Foi quase meia hora de narcisismo puro a que se assistiu. Desde a arrogância de dizer que se deu ao luxo de escolher o College de Oxford, até ao auto-elogio à sua própria tese - “muito boa mesmo” foi a adjectivação dada em causa própria, passando pelo encontros com John Major e pelo suposto sucesso das iniciativas por si levadas a cabo na casa da Música do Porto, com taxas de ocupação na casa dos 99% e adesão de dezenas de milhar de pessoas…

O novo-riquismo numa intelectual. Pedante. Egocêntrica. Ah. Esqueci-me. O doutoramento, pelos vistos, foi em música. Estranho… Quem a ouvisse falar de si própria, pensaria que de um doutoramento em letras ou ciências se tratava. Afinal não. Sem desprimor, afinal era só música. Música essa que os meus eclécticos ouvidos não apreciaram.

Festa

Ganhámos ao Chaves!

Sobre as patéticas declarações que ouvi da boca do presidente aos microfones de uma rádio – já quando chegava a Fafe – sobre tentativas vimaranenses de desestabilização e intimidação, nem comento. Digo apenas que é triste, muito triste ver o meu clube assim representado. Deprimente até. Aquela dos carros de alta cilindrada, se guardada de onde nunca deveria ter saído (vide boca), teria sido uma ode ao silêncio. Assim não. Assim foi (apenas) mais uma para juntar à longa lista.

Esboço um sorriso. Não dá para mais…

29 de Setembro de 2006

Desta vez foi o solavanco na 2ª Circular quem sai para os Olivais?

Só de pensar que o Vitória ia jogar – sem ser num particular ou taça – ao reduto do Olivais e Moscavide já as minhas entranhas se ressentiam. Se algum dia me passasse pela cabeça que, na eventualidade de tal improvável contenda se vir a verificar, outro resultado pudesse acontecer que não uma retumbante vitória, por expressiva e inequívoca goleada, dos branquinhos, acharia que não estava na plena posse de todas as minhas faculdades mentais. Era melhor nem pensar nisso. No entanto, o impensável – como tem vindo a tornar-se péssimo hábito – aconteceu.

Perdemos com esse portento do futebol e campeão incontestado inter bairros problemáticos da Grande Lisboa. Esse histórico dos regionais da AF de Lisboa. A seguir perderemos com o Dínamo de Chelas, o Spartak da Pedreira dos Húngaros e o Cova da Moura Sport Clube.

Perder com o Olivais e Moscavide, NUNCA! Não posso tolerar. Qual a desculpa desta vez?

Poderão dizer que estou a ser arrogante, altivo, quiçá até a abusar de sobranceria ao proferir estas afirmações… Pois seja. O meu Vitória não perde com clubes ao nível – ou falta dele, neste caso – do Olivais e Moscavide! O meu Vitória, antes de mais, jamais deveria disputar com tal agremiação sócio-cultural qualquer partida que não integrada na 1ª Liga ou Taça de Portugal! Os sócios do meu Vitória não são a massa amorfa em que os querem transformar. Quero que acabe este pesadelo.

Tenho de desabafar. Hoje mais a sério do que é costume, porque nem graçolas me apetece fazer. Ainda tenho bem presente a chacota de que fui alvo em pleno aeroporto de Milão – onde estive em trabalho – quando o resultado foi conhecido. E desabafo aqui. Convosco. Neste tom, comme d’habitude, informal. Porque sei que sentiram o mesmo. E se revêem no que escrevo, porque vem lá bem do fundo. É sincero.

Não sou muito adepto de cartas abertas. As minhas, quando as mando, mando-as fechadas porque acho que há quem as mande abertas bem melhor que eu. E como tenho saudades das cartinhas de vitorianos outrora atentíssimos. O quanto gostava eu de saber o que pensam sobre a actual situação do Vitória… O que lhes vai na alma. É que eu, decisivamente e sem papas na língua, o que penso é que seria difícil a um bracarense, que tivesse como único objectivo humilhar o Vitória, tê-lo feito com tanto rigor e qualidade quanto o foi por quem de direito neste mandato. Tanto mal feito em tão pouco tempo. E com tudo a favor. Com uma conjuntura, arrisco, irrepetível.

Lembro-me como se fosse hoje da penúltima AG do Vitória onde, publicamente e olhos nos olhos, disse que quem fez o meu clube descer à IIª não mereceria nunca a minha confiança. E afirmei também que tinha medo. Que tinha mesmo muito medo. Face à competência apresentada até então e ao argumento de que não ia abandonar porque o projecto ainda ia a meio. O meu medo é que, se a meio já íamos na Honra, quando o terminasse, estaríamos na IIB. Na altura, entre outras coisas, chamaram-me abutre. Provavelmente porque não fui hiena. Não via motivo para sair rindo-me a bandeiras despregadas de uma AG do meu clube, estando este na IIª. E juro-vos que nada me satisfaria mais do que ter sido obrigado a dar o braço a torcer e estar a dizer que afinal o Norton me tinha surpreendido favoravelmente, que Manuel Pedrosa afinal era um Peter Kenyon e que Vítor Magalhães se tinha revelado o líder que dele fizeram. Nunca por nunca poria à frente dos interesses do clube a casmurrice de defender uma aposta errada apenas para não “dar parte de fraco”. Como gostava de ter de estar a pedir desculpa publicamente a Vítor Magalhães por ter duvidado da sua capacidade.

Mas cada vez mais esse pedido de desculpas me parece uma miragem…

P.S. Até à hora em que escrevo esta crónica, a única reacção da Direcção à contestação dos sócios foi instituir abertamente o lápis azul no site oficial. Num comunicado patético tentam justificar a censura. Triste. Mais um negro episódio de quem tem mais, muito mais mesmo, com que se preocupar. Vindo de quem se arrogava de vir devolver o clube aos sócios, nem sei o que diga. Felizmente há sites não oficiais, blogs e fóruns (vitoriasempre.net – por exemplo e passe a publicidade) onde se pode debater livremente o clube. Só imagino o quanto gostariam algumas pessoas de poder fazer à Internet o que fazem aos comentários no site oficial…

É tão mau ser pequenino

Nada como sair da Pátria para que a nossa pequenez incomode. Porque será que nenhum hotel tem televisões portuguesas? Da inenarrável TV SHOP Suiça, aos anúncios eróticos Belgas, passando pela Al Jazeera com uma qualquer TV de leste pelo meio, há de tudo…

É tão bom ser pequenino

Obrigado por não dobrarem filmes e séries. Muito obrigado. Quando virem o Dr. House com uma voz parecida com a do Ricardo do Sporting e a Sarah Jessica Parker em Sex in the City a abrir a boca e a parecer tudo menos ela própria, dêem graças. Vão por mim.

É tão estranho o Português

Porque é que o português quando sai do País tem necessidade de usar umas vestimentas que aqui não usa? Porque se aproxima perigosamente o português do apalhaçamento total fora de portas? Será a sensação de pensar não ter ninguém conhecido por perto? Ou será que pensam que assim se confundirão com os “nativos”? Quem souber que me responda….

23 de Setembro de 2006

Informal, até demais…

Sinceramente acho que isto tem vindo a piorar desde que António Guterres se saiu com aquela tirada de tratar não sei quantos primeiros-ministros europeus por tu. Já nessa altura isto estava a descambar. De então para cá … insuportável.

Soa-me a mais uma influência de Castela em terras Lusas. Refira-se antes de mais que me enerva solenemente a informalidade militante no modo de trato dos hermanos de alguns – que nuestros, i.e. meus e do meu único irmão, não são. Até parece que andei com eles na escola para que me tratem por tu. Eu nem estudei em Espanha. Mas dêmos isso de barato e consideremos a custo que isso é uma questão cultural enraizada nos tipos.

Agora aqui por terras de Viriato é que já começa a ser demais. Nunca tal foi nosso timbre, bem pelo contrário. Até sempre fomos tidos por povo extremamente formal no trato. Mas agora… Ora leiam lá esta:

Ia eu degustar um grelhadinho ali p’rás bandas da Av. de Londres quando, após um qualquer condutor ter estacionado a sua viatura no parque, vem um trolha (no sentido profissional do termo e não no jocoso) e se vira para mim com um fulminante: Oh colega, esse carro é seu? Eu, educadamente, depois de confirmar se o conhecia da primária, ou até quem sabe, daquela turma do 9º ano no Egas Moniz e chegar à conclusão que nunca o tinha visto mais gordo, lhe retorqui: Não senhor. Não é.

Enquanto deglutia a bela da carne, ribombava-me aquela coisa na cabeça. E comecei a tirar algumas notas, alguns dos carinhosos termos com que – na sua maioria – perfeitos desconhecidos se nos dirigem. Do já falado colega, ao jovem, passando pelo chefe, doutor, patrão, campeão, brother e até ao incontornável my friend e o fantástico toni, não deixava de rabiscar coisas do género. Demonstrativo, na sua grande maioria, apenas e só de uma grande falta de respeito, sintomática da falta de educação que grassa. É que na grande maioria das vezes, quem usa estes termos são arrumadores, trolhas e gente que nos está a servir e como tal deveria ter tido formação que lhe permitisse não fazer figuras dessas.

Não custa nada!

Quase como se eu agora começasse o próximo tópico deste escrito com algo do género: Luís, pá, então que se passa? Mas não. Não vai ser assim. Respeitinho é bonito. Até podia. Afinal de contas ele é sócio do Vitória e nós somos uma família, não é assim? E assim sendo entre família, não haveria problema.

E não haveria. O problema é quando a família só serve para as horas boas. Então, caro consócio Norton de Matos, agora os seus familiares vitorianos são inimigos? Porque exigem? Porque assobiam quando não gostam? Então os seus pares só servem para pagar quotas e apoiar? Não podem manifestar o seu desagrado? Os atletas não aguentam a pressão? Não sabiam ao que vinham? Ou pura e simplesmente não sabiam. Ponto. E ainda não sabem. Reformulo e pergunto: Ainda não sabem? Se ganhamos, lá vem o seu comunicado a puxar os galões. Se perdemos na Póvoa, foram os jogadores. Contra o Penafiel foi o público…. Está bem, está.

Se não me falha a memória quase todos os jogadores dos quais li entrevistas, demonstravam um profundo conhecimento do Vitória, da sua massa associativa e da pressão inerente. Não venha agora com desculpas.

Não me vai dizer que queria só o filet mignon? Se realmente só quer essa parte – e eu não o censuro, porque também a adoro – faça pela vida. Não precisamos de muito para andar felizes, basta GANHAR! Afinal de contas, aquilo que, presumivelmente, lhe pediram. Basta isso. Vai ver que tudo corre sobre rodas.

15 de Setembro de 2006

Ligeiro

Ultimamente tem-me cabido a honra de ser contra-capa do Notícias de Guimarães. Responsabilidade acrescida. E imerecida. Faz-me temer o pior. Quem lê o jornal, logo a seguir à capa, tem-se vindo a deparar com esta coluna. Pode até estar em causa a reputação do jornal. Um vetusto jornal semanário sério, de respeito a “abrir” com uns escritos assumida e propositadamente ligeiros. Espero então não desmerecer este destaque e tentar com que a mais-valia desta coluna seja precisamente a sua leveza (forma eufemística de dizer que esta coluna por vezes é desprovida de qualquer conteúdo sério).

Antes pelo contrário

Por oposição à ligeireza desta coluna, temos o semblante dos vitorianos depois de mais uma demonstração única e inequívoca de fervor clubístico. Numa iniciativa que, mais uma vez, parte do fórum da Associação VitóriaSempre em vitoriasempre.net, fórum esse que frequento e no qual participo, sempre que o tempo mo permite – ou seja – muito pouco, uns milhares largos de vimaranenses, famílias inteiras, rumaram (ou desceram as escadas) até à Póvoa, num Domingo – quase – de madrugada, num jogo da II Liga e transmitido em directo pela televisão, é obra. Mais uma vez, os adeptos cumpriram. Apareceram e estiveram à altura dos pergaminhos do seu clube. A equipa, essa, não jogou bem nem mal… antes pelo contrário. Perdemos. Portanto, foi o descer à terra para muitos vitorianos que tinham esta época como aquilo a que os ingleses chamam “a walk in the park”. É lugar comum dizer que a competitividade da II Liga é aumenta na razão inversa da qualidade do futebol praticado. Conhecemo-la. Mais cedo ou mais tarde teria de ser. Mas tinha de ser tão cedo?

A escrita SMS

Ultimamente ando assim… meio amargo. Também com o Vitória a ajudar assim. Só me vêm à cabeça situações que me incomodam. E eu, lá está, fixo-as e escrevo-as. Pareço um daqueles velhos, rezingões, incomodados por tudo, mais alguma coisa e o que ainda possa sobrar e nostálgicos, sempre a dizer que no meu tempo é que era… não era nada disto.

E se há algo que no meu tempo não era assim, esse algo é a escrita. Desconfio não tarde muito para que o conhecimento que a geração telemóvel tem do modo como se escreve Português correctamente seja – se tal for possível – menor ainda. Arriscava mesmo dizer que se vai deixar de saber escrever Português.

Esta é a altura em que tenho que agradecer publicamente à minha professora primária, a Dona Ló – que é em primeira instância a responsável por me estarem a ler num jornal semanário de referência e grande tiragem e não num qualquer pasquim e/ ou fanzine – e que muito contribuiu para que o meu gosto em escrever bem a língua de Camões se mantivesse ao longo dos anos.

Juntando o medo pelo futuro do Português à minha embirração natural dos últimos tempos, temos a escrita SMS, que me tira verdadeiramente do sério. E já me tira do sério se alguém me manda um SMS escrito assim. Mesmo que seja um SMS em escrita SMS (seja lá isso o que for). Mas actualmente a geração telele usa esse modo aberrante de escrever em tudo o que é sítio. De folhas de papel a fóruns na Internet, presumo eu que passando, num futuro próximo – e aqui espero que o futuro não seja, ao contrário do que o slogan apregoa, já – nos exames. Ilegível. Se estivéssemos seguros de que o Português era, regra geral, muitíssimo bem dominado, superiormente leccionado nas escolas, e fluía com maestria nas lusas penas, mas sabemos que tal não corresponde à verdade.

Acredito piamente que se hoje perguntarmos a crianças em idades na casa dos 10 – 15 anos, muitas delas pensam mesmo que o K é das consoantes mais usadas no nosso abecedário. Que o X coabita os finais das nossas palavras com o S, tendo a mesma fonética, sendo apenas uma questão de opção.

Pode parecer exagerado, mesmo vendo o nosso idioma de per si já tão mal estimadinho, vejo o caso mal parado. Urge travar a epidemia. Se assim não for, qualquer dia sobejarão colunas de opinião a terminar assim:

Oix. Obg p trm lido st txt té ó fim. Pra smn á +. É mm fix saber k á km kurta ler cenax dxtas.:*** ;) :)

Espero que não tenha sido grande coisa em SMS. Contribuía imenso para a minha sanidade mental saber que sou fraco nisto. Agora mais a sério, mas ainda assim meio a brincar, até para a semana e como recorrentemente se vê escrito, mormente em posters A4 afixados em casa de banho, “É Favor” continuar a preferir-nos. Obrigado.

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