sábado, fevereiro 23, 2008

08 de Fevereiro de 2008

BASTA DE VIOLÊNCIA POLICIAL!

Estou a escrever este texto, acabado de chegar a casa, vindo do jogo, que há pouco terminou, entre o Vitória e o Leixões. Ganhámos, mas nem isso me consegue animar. Nem consegui saborear a sofrida vitória sobre aqueles que se acham nossos rivais.

Venho incomodado. A facilidade com que vejo isto a repetir-se anda-me a mexer já com o sistema nervoso. Acho que é altura de se fazer algo. Já chega de assistirmos impávidos e serenos a estes abusos por parte de quem tem por obrigação zelar pela nossa segurança.

Hoje foi na bancada poente do Estádio D. Afonso Henriques, sem motivos que o justificasse, a polícia de choque – ou se não era, pelo menos, estava armada como tal, à Robocop – carrega sobre associados do Vitória, numa bancada do estádio tradicionalmente pouco dada a confusões, frequentada na sua generalidade pelos sócios mais idosos – gerando imediatamente uma onde de protesto. Estou farto destes mauzões de bastão e em matilha.

Na semana passada, no jogo contra o Benfica, quando era necessário intervir, assistiram enquanto eram lançados petardos e destruído o nosso património. Hoje esta gente – que deve vir de Braga, tal é o ódio que nos têm – que nem respeito merece, porque também não nos respeita, tinha uma imensa vontade de correr à bastonada vitorianos. Porque sim. Sem mais nem porquê.

Tanto assim foi que, frente à bancada Topo Norte, outros robocops, perante um aglomerado de vitorianos que esperavam para ver a saída dos leixonenses, diziam, alto e bom som e com "ar de fome", vamos limpar esta merda toda! Isto enquanto batiam com os bastões – estranho fetiche têm eles por bastões, deve haver alguma teoria que explique esse uso ostensivo, com alguma carência – nas caneleiras, em atitude provocatória e intimidadora, inclusive para quem, como eu e o meu pai, apenas nos dirigíamos ao parque de estacionamento onde tínhamos deixado o carro.

Pela parte que me toca, vou escrever sobre este assunto e apelo a quem possa e queira fazê-lo também. Não me calarei. Vou escrever ao presidente da Direcção do Vitória Sport Clube, que é o responsável pela prestação do serviço que contratamos ao adquirir lugar ou bilhete no estádio. E vou escrever também ao comissário da PSP. Exijo explicações. Não pode haver constantemente dois pesos e duas medidas.

Acredito que se mais vozes se juntarem, talvez venhamos a ser tratados como adeptos de futebol. Nós não somos animais. E queremos apenas que a polícia que para cá seja destacada, não seja a cambada de animais que tem vindo.

E no dia em que merecerem respeito e nos deixarem de tratar como animais, tratá-los-ei de modo igualmente respeitoso. Até lá, não calarão a minha revolta. Mesmo que esteja a ser injusto, porque sei que também na polícia os há bons. Peço desculpa pela generalização. Talvez assim percebam o que sentem os ADEPTOS DE FUTEBOL quando tomam o todo pela parte e são tratados como hooligans

Carnaval em Portugal

E com estas e outras nem tive tempo para voltar a falar do espectáculo decadente que continua a ser o Carnaval abrasileirado em Portugal, bem como as reportagens sobre os festejos que por aí grassam, da inenarrável festas dos Cus em Cabanas de Viriato, o Carnaval, como disse um dos organizadores mais “cigéneres” de Portugal, onde a meia dúzia de habitantes anda pelas ruas às trazeiradas uns aos outros ou o indescritível Carnaval da banda de Gadeixe, onde uma meia dúzia de seis, com alfaias agrícolas anda pelas ruas a fazer barulho.

E lá têm, assim, os seus quinze minutinhos de fama…

terça-feira, fevereiro 05, 2008

01 de Fevereiro de 2008

Papagaios

Desde que me lembro de ser gente que me habituei a ver o Vitória a perder com o Benfica. Diga-se, em abono da verdade, que numa grande parte das vezes, roubadinho.

Mas não é menos verdade que já fizemos exibições épicas, cujo desfecho era, quase invariavelmente, um resultado proporcional à inclinação que “o gatuno de preto de serviço” dava ao campo. Por mais que jogássemos havia sempre uma habilidade guardada para nos empurrar. Para baixo. E com a conivência silenciosa da comunicação social nacional, que se rege apenas pelo economicista “quanto vende o Benfica”.

Por isso e porque eu sei que não consigo ser isento quando falo sobre o Vitória, não vou fazer nem mais nem menos que os supostos isentos, dando uma opinião que poderá ser facciosa. Com uma pequena diferença: aqui não vem adornada numa falsa capa de seriedade…

Fomos empurrados! Escandalosamente! O primeiro golo nasce de um lance, que a ser mais do que uma procura da falta por parte do Rui Costa – o que eu duvido – daria, quanto muito, lugar à marcação de um livre indirecto.

No segundo golo, em primeiro lugar, a bola sai e depois não se faz aquilo ao Andrezinho.

No terceiro, o-tal-que-ainda-não-tinha-marcado-de-livre-em-Portugal-
e-tinha-de-o-ter-feito-logo-a-nós domina a bola com a mão.

E depois disto o cartoon que preside ao Benfica ainda tem a distinta lata de vir falar em falta de vergonha? Por o Rui Costa ter levado um amarelo? Mas agora as leis do futebol não permitem que o futuro (actual?) director desportivo seja punido? E digo mais, devia ter levado outro, como o que levou ao serviço da selecção e parece não ter servido de lição, por se ter armado em vedeta, a querer passear-se enquanto queimava tempo, saindo pelo centro do lado poente, quando estava a dois passos do canto norte/nascente. Palhaçada…

Da arbitrariedade

Sempre que ouvi notícias, neste últimos dias, acerca do esfaqueamento de que foi alvo um adepto do Vitória, perpetrado – toda a gente sabia menos os jornalistas, normalmente tão bem informados – por um membro de uma claque do Benfica, eram tantos os pruridos, fazendo questão de dizer “adepto alegadamente do Benfica” e com tantos paninhos quentes que até se poderia ficar com a sensação de que o vitoriano foi contra o canivete que um moçoilo lisboeta tentava vender…

Se fosse ao contrário, até já estou a ver quais seriam as manchetes e os epítetos com que nos brindariam. Até membros do governo vinham a terreiro…

Mas os mesmos jornalistas que achavam que a facada foi dada por um alegado adepto do Benfica, não tiveram dificuldade em afirmar que uma viatura de um benfiquista de Castelo de Paiva foi – lamentavelmente, digo eu – amolgada por membros de um das claques do Vitória.

Assistimos aqui à mesma dualidade de critérios que inclina os relvados. Pela pena de quem os julga perante a opinião pública.

Acho que estamos falados.

E acabar com a hipocrisia?

Eu também estava no D. Afonso Henriques quando pereceu Féher. Sim, também fiquei abalado com o falecimento precoce de um atleta.

Mas, vai fazer-se, todos os anos, isto? Aquela espalhafatosa homenagem? É mesmo preciso aquilo tudo para mostrar que ainda hoje se lembram daquele que no ano em que faleceu queriam esquecer?

Se realmente acham que Féher deve ser homenageado, porque não o fazem recatadamente? Para quê todo aquele show-off? Para quê, se não aproveitamento puro e simples, a elevação à categoria de mártir de um atleta que era, à altura um dispensável?

Para fim de conversa e para que percebam que o que digo não é tão disparatado quanto isso, deixo uma pergunta no ar:

E no ano passado, veio alguma delegação do Benfica ao D. Afonso Henriques em Janeiro, homenagear o tão querido Miklos?

Pois…

domingo, fevereiro 03, 2008

Do Kosovo com amor...

2-1

Toma lá badocha.

BASTA DE VIOLÊNCIA POLICIAL!

Estou a chegar agora mesmo do jogo, que há pouco terminou, entre o Vitória e o Leixões.
Ganhámos, mas nem isso me consegue animar.

Acho que é altura de se fazer algo. Já chega de assistirmos impávidos e serenos a estes abusos por parte de quem tem por obrigação zelar pela nossa segurança.

Hoje foi na bancada poente do Estádio D. Afonso Henriques, sem motivos que o justificasse, a polícia de choque - ou se não era, pelo menos, estava armada como tal, à Robocop - carrega sobre associados do Vitória, gerando imediatamente uma onde de protesto.

Na semana passada, no jogo contra o Benfica, quando era necessário intervir, assistiram.
Hoje esta gente - que deve vir de Braga, tal é o ódio que nos têm - que nem respeito merece, porque não nos respeita, tinha uma imensa vontade de correr à bastonada vitorianos.

Tanto assim foi que, frente à bancada Topo Norte, outros robocops, perante um aglomerado de vitorianos que esperavam a saída dos leixonenses, diziam, alto e bom som e com "ar de fome", vamos limpar esta merda toda!

Pela parte que me toca, vou escrever sobre este assunto e apelo a quem possa e queira fazê-lo também. Não me calarei.

Acredito que se mais vozes se juntarem, talvez venhamos a ser tratados como adeptos de futebol. Nós não somos animais. E queremos apenas que a polícia que para cá seja destacada, não seja a cambada de animais que tem vindo.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

25 de Janeiro de 2008

Assalto ao 2º lugar

Vai bem lançado o nosso Vitória. Na Taça despachamos o Nacional com aparente facilidade e no campeonato, se tudo correr bem amanhã, na próxima semana estarei aqui a escrever sobre a sensação de estar no 2º lugar da Liga. E como me vai dando gozo esta situação… Naturalmente que estar nesta posição, por si só, é gratificante. Mas ver que o vamos fazendo, sem loucuras, mantendo o norte e não embarcando em megalomanias, dá-me um especial prazer. Ainda que, na minha modesta opinião, a forte possibilidade de almejar a Liga dos Campeões, motivada pela extraordinária união e fantástico aproveitamento do curto plantel actual do Vitória, aliado ao miserável rendimento dos clubes da segunda circular e ao animador desnorte desportivo com que o novo-riquismo de além-morreira no tem presenteado, merecesse uma abordagem ambiciosa por parte da Direcção vitoriana. Com os pés assentes na terra, é certo, que os tempos não estão para loucuras, mas sem desviar propositadamente os olhos de algo que dificilmente parecerá tão alcançável como nesta época.

Está pois o Vitória onde deve estar. Entre os grandes, ombreando e pugnando pelos mesmos objectivos, não deixando margem para costelas ou costeletas. É que indiscutivelmente, o nosso sucesso será o insucesso dos supostos grandes.

Por falar em grandes

Tenho por Manuel Cajuda uma grande admiração, manifestada inclusive, algumas vezes aqui. Foi, afinal de contas, um dos principais obreiros da recuperação que devolveu o nosso Vitória ao seu lugar.

Como pessoa, nada a apontar, muito pelo contrário.

Mas que a entrevista que o mister deu ao maisfutebol, e logo na semana que antecede o jogo com o Benfica, foi um tanto ou quanto infeliz, isso foi.

È que se já na reportagem ReporTV, que passou na SporTV e que terminou com uma frase dirigida a Jesualdo Ferreira, que denotava pose de subserviência, assumindo o papel de treinador de um Vitorinha, que parecia que era a primeira vez que jogava contra o campeão nacional, nesta última as constantes referências aos três grandes foram exageradas. E a manifestação da preparação que agora tem para treinar um desses supostos grandes, nem se fala. Já para não falar na declaração de benfiquismo na semana de jogo contra eles. É daquelas perguntas às quais, por muito que até seja verdade e ninguém pede que minta, não se deve responder. Muito menos com este timing. É, como diz um amigo meu, a mesma coisa que ter um vendedor da sua empresa, a dizer que de quem gosta mesmo é da empresa concorrente. Podia ser o melhor vendedor do mundo, mas nesse caso, calado era poeta.

A rever a excessiva mediatização e pensar seriamente em gestão de imagem. Algum recato não faria mal nenhum. É que, às vezes, o silêncio é de ouro.

José Cid

Tinha previsto ir ver José Cid e relatar aqui a minha leiga – friso bem a leiga, porque eu não tenho a mania que sei de tudo e mais alguma coisa – opinião sobre o assunto.

Por uma questão de prioridades não o irei fazer. Marcaram o Vitória para a mesma hora e foi uma daquelas situações em que nem hesitei.

Tremenda injustiça para José Cid, em Guimarães, ter de competir com um Vitória - Benfica. Como eu, outros, em opção, irão ao estádio!

Mas tenho pena de não ir.

Até porque:

Tenho a certeza que, sendo o jogo transmitido pela TVI e tendo circulado pela Internet uma gravação das conversas (em off) dos comentadores da televisão dos espanhóis da Prisa, em que desejavam ao Vitória que apanhasse “outras quatro em Setúbal”, como apanhou na Amadora e já que nas entrelinhas das palavras deles, continuamos com a fama de arruaceiros, de tal modo que um dos comentadores aconselhava o colega a levar jantar já que provavelmente só sairiam por volta da uma da manhã, os impropérios lançados a esse canal de televisão que nunca deveria ter ficado com o futebol porque não o sabe trabalhar, serão com certeza bem audíveis. E eu quero ver se me faço também ouvir…

sexta-feira, janeiro 18, 2008

18 de Janeiro de 2008

Pitoresco ou terceiro-mundista?

Nestes dias em que a nossa (portuguesa) confiança já os teve melhores, e em que “é bem” dizer mal do que é nosso, de preferência minimizando-nos enquanto povo por comparação com outros, por vezes é necessário sair da Pátria para que a consideremos um pouco mais.

Recorrentemente usa-se agora a torto e a direito a expressão de que o nacionalismo / patriotismo se cura viajando. Se, para servir alguns interesses a expressão não é mentira, o contrário é tão ou mais válido.

Se não, atentem.

Itália, no que diz respeito à minha actividade profissional, ainda é o País com as principais feiras internacionais. Uma delas, já a caminho da sua 70ª edição, realiza-se bem no norte de Itália, nas margens do Lago di Garda, em Riva del Garda.

Esta região fica a quase 200 kms de Milão, principal aeroporto que serve a zona, já bem perto da Suiça e Áustria.

Costumo dizer, meio a brincar meio a sério, que é mais ou menos como se a antiga feira do sector do calçado português, a MOCAP, se realizasse em Trás-os-Montes.

Os visitantes estrangeiros aterravam em Pedras Rubras – aquele aeroporto que tem o animador nome de um homem que morreu de acidente de avião – e ou alugavam carro ou então eram metidos em autocarros, não em direcção a Matosinhos, mas sim com destino a Vinhais. E tinham de ir felizes da vida, agradecendo muito porque lhes estávamos a proporcionar o usufruto de uma paisagem agradável.

Chegados ao destino, o recinto da feira propriamente dito, não é um. Há um principal, maior que os outros. Mas para além desse, entre o Palácio de Congressos e o Casino do Arco, o recinto afinal, é uma boa meia dúzia. Todos eles oficiais. Que distam seguramente mais de dez quilómetros entre eles. Fora os expositores que não expõem na feira, mas sim em hotéis nas redondezas. Confusos? Agora imaginem lá…

Para não baralhar mais, imaginemos então que o recinto principal é uma labiríntica estrutura P3+1 (três pisos mais um, em que o mais um é o parque de estacionamento do último piso com uma tenda cheia de expositores do Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka), com quatro pavilhões por piso.

À esquerda de quem entra ainda há uma tenda onde está uma dezena de expositores portugueses. Para usar um eufemismo, vou apenas dizer que as condições são fraquinhas…

Lá como cá, estava a chover. E bem. Normalmente chuva em Janeiro, para quem está no ramo do comércio a retalho de calçado, é uma bênção. Lá vão sair mais umas botitas, é a primeira reacção do sapateiro. E foi. Mas só até chegar ao parque de estacionamento pago. Nada contra o parque ser pago. O que me causou espécie, foi mesmo os parques serem em terra. Ou melhor, terem sido em terra, no Verão. Agora são lameiros. Se fosse cá, caía o Carmo e a Trindade e ainda levávamos com uma data de terceiro-mundistas.

Lá não. Como é em Itália, a chafurdice tem muito estilo e é pitoresca. Faz-me lembrar uma história que uma professora minha, no Liceu, contou e que girava em torno da falta de beleza das mulheres. Havia uma mulher pobre e pouco bonita, que era feia. Uma ainda menos bonita, mas rica, já era exótica.

Era ver os normalmente super exigentes alemães a comer sanduíches, que não vinham embaladas individualmente, equilibrando a lata de bebida na outra mão, encostados ás paredes, porque mesas, nem vê-las… E eles felizes.

E os ingleses, visceralmente picuinhas, calcorreando estreitos corredores entre stands onde os expositores chineses comiam com as caras enfiadas nas tigelas de massa e arroz… E eles felizes.

Um caso de dois pesos e duas medidas.

O que é certo é que a “nossa” MOCAP, definhou, até morrer no edifício da Alfândega do Porto, numa feira onde havia mais expositores que clientes, depois de ter passado por recintos de feiras com excelentes – à altura – condições, como era o caso do Palácio de Cristal, do Europarque e, claro está, da Exponor.

Lá não. Andam felizes. Se aquela feira fosse cá, já uma ASAE qualquer a tinha fechado.

E o pior é que, mesmo que não se queira, lá se tem de ir. Ainda que não feliz.

Coisas que se aprendem no estrangeiro

Aprendi agora, em Itália, algo da História de Portugal que desconhecia por completo. Há coisas que só mesmo lá fora, num sítio onde as criancinhas desde novas são tão inteligentes que até falam italiano, se pode ficar a saber.

A meio de uma daquelas conversas estúpidas de bar do hotel, entre bebidas de fim de noite, e notando que o barman parecia querer que comunicássemos em inglês, idioma que domino algo melhor do que o faz o nosso Primeiro – ainda que não tenha feito a cadeira de inglês técnico na Independente – o barman, lapidarmente e após constatar que os portugueses, regra geral, até se desenrascam bem no inglês, vai buscar a explicação para esse “jeito” ao facto de termos sido uma colónia inglesa. Ora toma.

Enquanto o meu irmão lhe tentava explicar que talvez ele se tivesse baralhado, e confundido o Tratado de Methuen com colonização e que do Reino Unido nós só éramos aliados e que, volta e meia, lhes ganhávamos em jogos épicos de futebol, ele contrapunha com o livro de História que tinha estudado na escola. E que tinha a certeza absoluta. E que até os ingleses são os turistas que vêm em maior número para Portugal, logo, fomos colónia.

Apetece dizer, parafraseando Scolari: E o burro sou eu?

domingo, janeiro 13, 2008

11 de Janeiro de 2008

A coluna este ano começou bem

Para gáudio de alguns, esta página na semana passada saiu sem a minha foto. Começou bem o ano. Na primeira edição de 2008 do NG, escrevi uma coluna irrepreensível. Nem um único erro ou gralha. Limpinho. Pudera…

Pois é, o trânsito voltou a fazer das suas. Em mais uma das minhas viagens por este “imenso” Portugal, um acidente na A1 – a auto-estrada que dá a sensação de ter mais troços com obras de alargamento do que vias com largura de auto-estrada a sério – aliado ao dilúvio que se fez sentir, fez com que não conseguisse escrever o texto. Aos meus leitores, as minhas desculpas.

David Fonseca

Tinha deixado aqui a promessa de vos contar como foi o concerto de David Fonseca no São Mamede. Ainda que com uma semana de atraso, cá vai.

Esta foi uma noite que, para mim, representava duas estreias, já que nunca tinha visto David Fonseca a solo e nem tinha ainda ido ver o São Mamede depois de reaberto. Começo pelo segundo ponto.

Pelo que pude constatar – já que cheguei, para variar, em cima da hora e subi as escadas que dão acesso àquilo a que se chamava tribuna e agora se chama 1º Balcão – achei bem conseguida a redecoração e o novo conceito dos pisos superiores do espaço interessante. Parece ser um excelente sítio para uma noite agradável.

Tentando descrever, muito resumidamente, para que quem conhecia o (Cinema) São Mamede e ainda não tenha tido oportunidade de lá ir, subindo pela porta da direita, chegando ao primeiro piso, contrastando com o piso e paredes escuras, uns sofás de design moderno dão um colorido à iluminada q.b. sala. À direita da sala, colada às escadas que dão acesso ao piso superior, está o DJ (onde outrora havia um carrinho de pipocas) que, pelo pouco que ouvi, presenteia os presentes com um chill-out muito agradável. A caminho do antigo bar, naquele recanto à esquerda da entrada da sala de espectáculos, está agora o Bar (a maiúscula foi propositada), um balcão comprido e ao comprido da tal sala.

No piso superior, mal acaba de se subir o último vão de escadas, está um balcão e uma estante com exposição de livros, em jeito de livraria.

De realçar o cuidado que houve para com os deficientes, estando o espaço dotado de um elevador.

Até agora a apreciação tem sido bastante positiva. A nota negativa vai claramente para as cadeiras. Ou melhor, para o espaço entre elas. Esperava sinceramente que, aquando das obras de remodelação tivesse sobrado algo para a eliminação de uma fila de cadeiras. Principalmente em concertos onde apeteça dançar sentado. Não dá mesmo jeitinho nenhum.

Em relação ao concerto, gostei. Acho David Fonseca um excelente profissional, interagiu (e brincou) muito com o público, fez umas covers engraçadas, sempre com muito profissionalismo, mas deixando transparecer o gozo enorme que lhe estava a dar aquela performance.

E isso reflectiu-se no tempo de concerto. Deu a sensação de que o tempo dedicado a encores – prolongamento - foi quase tanto como o de alinhamento – tempo regulamentar, o que num artista com um registo tão marcado como é o caso, acabou, na minha opinião, por ter sido um grande concerto, quiçá um pouco grande demais.

Mas que temos artista, não há dúvidas.

E no José Cid, lá estarei.

E o burro sou eu?

Nesta quadra festiva, com algum tempo para brincar com o meu filho, dei por mim a pesquisar no baú das recordações jogos de Playstation antigos.

Encontrei um que, salvo erro, era o primeiro da série Pro Evolution Soccer, que deve ser “só” o mais popular jogo de futebol.

Como quase sempre, escolhemos a Selecção Nacional Portuguesa para jogar. Eis que surge alinhada a equipa das quinas, vestida com um dos mais feios equipamentos de que há memória.

Quim, Dimas, Abel Xavier, Couto, Jorge Costa, Vidigal, Paulo Bento, Sérgio Conceição… entre outros.

Lembrei-me então da arrogância de Scolari e apetece-me dizer que com alguns destes nomes, qualquer um era ruim… qualquer um era burro.

Difícil era fazer lagosta com bacalhau.

Diz que é uma espécie de exagero

Sigo os Gato(s) Fedorento(s) desde a SIC Radical. Acho-os, neste momento, os melhores humoristas nacionais. Acho-lhes piada.

Mas daí até à RTP, num mesmo dia, dedicar dois programas inteirinhos ao que tinha sido o programa de noite de fim de ano do seu canal 1, parece-me uma espécie de exagero.

Tesourinho horripilante

José Castelo Branco no Domingo à tarde a cantar na SIC

E pelos vistos já o tinha feito na noite de passagem de ano. Deprimente. Horrível. Escabroso. Horripilante. Faltam-me adjectivos. Só visto. De fugir.

Mas a culpa nem é dele. É do anormal – só pode ser – que deixa um anormal fazer uma anormal figura daquelas em horário nobre. Venha mais um canal. Depois de estes terem batido no fundo, pior não pode ser…

segunda-feira, dezembro 31, 2007

28 de Dezembro de 2007

O crime do frasco de piripiri

Era antevéspera de Natal. A noite fria e chuvosa convidava a um jantar romântico. Após escolha aturada, chegou à conclusão de que aquele era o restaurante ideal para o efeito.

Aquele acolhedor ar de cantina italiana, os fumados pendurados, o imponente forno de lenha, que aquecia o ar e os corações dos presentes, à medida que se saboreava o vinho tinto, aumentava a vontade de fazer algo proibido. Enquanto se esperava pelo prato olhava-se em volta e a respirava-se Natal. Ele eram as famílias felizes – porque também as há, até em Guimarães – nas mesas, as luzinhas na árvore, o spray de neve nas janelas com os dizeres do costume e os leds azuis nas ameias do Castelo.

Chegado o prato principal, alguém pede molho picante.

Prontamente, como é seu apanágio o sempre solícito empregado apresenta duas alternativas: o vulgar tabasco (na sua tradicional roupagem avermelhada) ou este, que é caseiro (embalado em garrafa de azeite). Se pudessem ter visto o receio com que foi apresentado o “este”, por oposição à descontracção com que o fez “àquele”. Parecia, por momentos, que o experimentado chefe de sala se havia transformado num perigoso traficante, tentando sub-repticiamente dissimular uma transacção de um perigoso produto ilícito.

O pavor estampado no rosto, os olhos olhando em volta não fosse haver ali um qualquer bufo que fosse a correr dizer à ASAE que naquela garrafinha que outrora fora de azeite Romeu, agora de Romeu nada mais tinha que o rótulo.

O que lá dentro havia, nada mais era que um delicioso piripiri caseiro. Vendido às escondidas. Não fosse a ASAE tecê-las.

David Fonseca

É a primeira vez que vou ver David Fonseca a solo. Como sempre acontece, nestas coisas e comigo, lembrei-me dois dias antes do concerto que para o ver era preciso bilhete, mesmo já sabendo há quase um mês que o ex-vocalista dos Silence 4 vinha a Guimarães.

Correu bem e lá consegui arranjar os ingressos que me vão permitir voltar ao São Mamede uns anos depois da minha última visita lá (então como cinema), agora com duas ausências de vulto, a do Sr. Matos e a do Sr. Roldão no bar…

Confesso que estou curioso. Pelas indicações que me deram o conceito está bem conseguido e a acústica da sala irrepreensível.

Mais logo confirmo. Para a semana digo-vos como foi.

No melhor pano cai a nódoa

Já várias vezes me assumi como leitor do jornal desportivo supracitado, porque gosto e, quanto mais não fosse, porque a gratidão é uma coisa bonita e nunca me hei-de esquecer de quem, quando descemos à segunda nunca deixou de nos tratar com o respeito que merecemos, independentemente da divisão que disputemos.

Talvez por o ter feito – inclusive aqui nesta coluna – me sinto perfeitamente à vontade para vos dizer que no melhor pano caiu a nódoa.

O jornalista Jorge Fonseca, na edição do dia de Natal, decidiu armar-se em sociólogo tentando escalpelizar o problema das crónicas fracas assistências do Braga. Até aí nada de mal. Diz ele que o estádio é mais longe do centro 1,5 kms do que o antigo 28 de Maio que ficava só a um quilómetro, não há estacionamento, os jogos são quase todos à noite e o “famoso microclima de Dume” (esta expressão é minha, já que o que o jornalista diz é que o tempo chuvoso e húmido de Dume) ajudaram ao êxodo, principalmente dos mais antigos.

Aqui comecei a ficar baralhado. Não percebi se lia uma notícia, um artigo de opinião ou um estudo científico.

E o que é que nós temos a ver com isso? Pois. Isso vem agora.

Como não podia deixar de ser, tínhamos de vir à baila. Agora é moda… Não se consegue falar do falhanço das assistências do Braga, sem nós sermos chamados à colação.

Afinal fiquei a saber que nós temos assistências muito superiores ao Braga porque “Braga reúne factores que contribuem para uma maior diversão dos residentes, já que possui mais teatros, cinemas, centros comerciais e até zonas pedonais do que a Cidade Berço, tradicionalmente mais fechada a inovações, apesar do esforço da autarquia para a dotar de equipamento à altura de uma Capital Europeia da Cultura.

Desculpe lá… importa-se de repetir? Acho que não percebi bem. Basicamente, como não temos que fazer vamos à bola, é isso? Então Leiria e a Figueira da Foz devem ter uma vida cultural ao nível de Nova Iorque…

As palermices continuam, mas para mim já bastava. Não li mais uma linha.

Para mim esta notíciazeca mais não é que propaganda. E da fraca. Um jornalista a arranjar desculpas esfarrapadas para o facto do Braga ter fracas assistências.

Que tentem arranjar forma de contornar esse problema, mas que nos deixem descansadinhos.

Já estou farto, enquanto vitoriano, de ser usado como arma de arremesso do presidente do Sporting local, quando lhe dá jeito, aos seus associados. E ainda há quem por cá fique feliz a pensar que ele nos elogia. Para citar Ricardo Araújo Pereira, Salvador: o que tu queres sei eu…

Em relação ao texto d’O Jogo, podia-me dar ao trabalho de contrariar com factos as especulações absurdas que deram à estampa no dia de Natal, mas nem sequer merecem esse esforço da minha parte, primeiro porque me sinto pesado depois da comilança de Natal e depois porque quero que me provem a relação de causa efeito das zonas pedonais com as assistências dos clubes de futebol onde elas existem…

Fico à espera. Sentado.

E para terminar o ano

Resta-me desejar-vos umas excelentes entradas em 2008. E se não for pedir muito, que continuem a ter um bocadinho de paciência para ir lendo esta coluna de vez em quando.

Prometo que este ano já não volto a maçar-vos…

sexta-feira, dezembro 21, 2007

21 de Dezembro de 2007

A maior bandeira do Mundo (ainda o Guiness)

Insistem em dar-me matéria-prima para esta secção. E eu agradeço. E desta vez, a ideia nasceu cá.

A Associação Amigos do Vitória propõe-se a fazer a maior bandeira do mundo, com as faraónicas dimensões de 120 metros de comprimento por 60 metros de largura. A esta altura já estão à espera que eu teça um qualquer comentário jocoso acerca da iniciativa… Mas não, como estamos no Natal e a bandeira até é do Vitória, não o farei.

Assim de repente, como quem não quer a coisa (ainda que seja sobejamente conhecido o meu fetiche pelo nacional-guinessismo, que redunda sempre em tentar ser o maior em alguma coisa) desta vez, só precisava aqui de ajuda num problema, de áreas e geografia. É que parece-me que 120m x 60m deve dar qualquer coisa como 7200m2.

Com uma rápida pesquisa na Internet, encontrei algumas informações relativas à maior bandeira do mundo. Quase todas elas referem uma iniciativa levada a cabo em Masada – para celebrar 50 anos de relações diplomáticas entre Israel e as Filipinas – que juntava as bandeiras dos dois países numa "hiper-mega-super-florilélica-bandeira" de quase 40000m2.

Até aqui nada de muito difícil. Não vou perguntar como é que uma bandeira com pouco mais de sete mil metros quadrados pode ser a maior do mundo, quando já existe uma cinco vezes e meia maior. Parto do princípio que a organização rectificará as medidas em função das necessidades e as primeiras medidas avançadas, apenas o foram para aquilatar do apoio que a iniciativa recolheria.

A dificuldade é mesmo perceber onde é que a associação organizadora vai pôr a bandeira.

É que em Masada, fizeram-no no aeroporto. E mesmo assim não conseguiram esticá-las na totalidade. E Guimarães, que maçada, não tem sequer aeródromo. Assim, como quase tudo aquilo que se tem vindo a discutir neste país, também neste assunto a dúvida subsiste:

Na Ota ou em Alcochete? É que na Portela+1 não deve dar…

Emplastros encartados

Contam-se pelos dedos de uma mão as entrevistas a políticos, onde não aparecem os emplastros na fotografia. Umas vezes jotinhas, outras autarcas atrás dos ministros, chefes de governo atrás de presidentes de comissões, mas sempre seguindo a lógica de serem subalternos, em bicos de pés, atrás do “chefe” que lá vai falando, com ar enfadado de quem sabe bem a figura que aqueles penetras vão fazendo. Mas eles não desistem e quando são mais que um, tenho a certeza que nas costas do chefe se trava uma luta fratricida pelo melhor plano…

Então quando são inaugurações, até se atropelam.

Impressionante

Estive no Dragão. Bom jogo, aberto. Futebol entretido. Entramos em campo a querer discutir o resultado e chegamos a conseguir, futebolisticamente, ter um resultado favorável como sendo o mais provável. Não fora o remate de Ghilas ao lado e a sobre-humana defesa de Helton e teríamos tido vantagem no marcador (os dois falhanços do Porto já lá iam).

Se futebolisticamente demos luta e perdemos, já nas bancadas, mesmo em inferioridade numérica, demos goleada.

Grandes adeptos que nós temos. Adeptos que entram no Dragão com a mesma postura que o fizeram em Gondomar ou nos Olivais. De peito feito. Para ganhar. Sem medo e muito menos elevando o adversário à categoria de invencível. É apenas mais um adversário. Com quem já perdemos, empatámos, mas também a quem já ganhamos. E a quem nada devemos. Muito menos vassalagem.

Nem nós temos de entrar com deferência nem o Porto tem de entrar com a arrogância de vencedor antecipado. Respeito, sim. Desde que de parte a parte.

Mais que isso, não. Nunca.

Aqueles três mil encarnam o verdadeiro espírito conquistador das nossas gentes e encheram de orgulho a família vitoriana. Foi impressionante!

Feliz Natal

Aproveito este meu último texto antes do Natal para desejar um Santo e Feliz Natal a todos os meus leitores. Muito obrigado pela vossa preferência e paciência. E já agora também ao NG e a todos os seus colaboradores, que tantas e tantas vezes têm de esperar pelo meu texto para poderem ir jantar (como está a acontecer hoje).

Não fossem vocês e com certeza não teria ânimo para semanalmente partilhar algumas inconfidências e disparates, tentando meio a brincar ir dizendo algumas coisas sérias. Muito obrigado.

Tudo de bom para as vossas famílias.

sábado, dezembro 15, 2007

14 de Dezembro de 2007

Espinhas dorsais (e falta delas)

Nunca tive um conhecimento muito aprofundado de José Miguel Júdice, mas era uma das figuras do PSD, por quem eu até nutria alguma simpatia.

Não tinha nenhum motivo em particular, mas a distância com que via os acontecimentos desenrolarem-se nos sociais-democratas, levavam-me a pensar que aquele “barão” seria uma reserva do partido.

Mesmo não sendo social-democrata, posso dizer que essa personagem me desiludiu. Quando vi a sua nojenta intervenção aquando das últimas autárquicas, vi de que era feito aquilo. Da mais pura matéria escroque. E como sempre detestei vira-casacas e gente que se esquece de onde veio, aquilo enojou-me.

Quando vi agora as suas declarações acerca do novo bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, fiquei com a certeza de que Marinho Pinto será um bom bastonário. Se Júdice diz que Marinho Pinto «é um populista como populista foi Mussolini e como populista é Hugo Chávez», Marinho Pinto está no bom caminho.

Críticas de gente sem escrúpulos são medalhas no peito de quem tem espinha dorsal.

Guimarães on fire

O fim-de-semana passado foi uma verdadeira maratona de lazer. Ele era a 53ª Reabertura da discoteca Trás-Tás, na Rua Gil Vicente. P’rás bandas de Azurém, a abertura do La Movida Beach (não posso confirmar, mas disseram-me que aquilo até tem tubarões pendurados e guaritas de nadador-salvador à Marés Vivas). Já nas galerias do Estádio, uma festa com Dj’s e tal…

E isto já para não falar da oferta cultural “tradicional” em Guimarães, que actualmente “pede meças” (adoro esta expressão) a muito boa metrópole.

Com a recente reabertura do antigo cinema S. Mamede, agora com nova vida como casa de espectáculos (concerto memorável dos Nouvelle Vague, segundo alguns amigos que foram, que isto de ser chefe de família não me deixa tanto tempo para lazer como gostava) mais o Centro Cultural Vila Flor, mais o que algumas associações (Convívio, por exemplo) nos vão propondo e a programação esporádica do Multiusos, creio que estamos a dar passos muito firmes para que a “nossa” Capital Europeia da Cultura seja memorável. Não nos podemos queixar de falta de oferta.

De saudar a iniciativa privada, que está a dar mostras de ter sensibilidade para acompanhar a tendência e aproveitar esta onda.

Creio que posso dizer que Guimarães se está a assumir como uma cidade cada vez mais cosmopolita.

Restaurantes alternativos em Guimarães

Se há uns anos atrás me dissessem que haveria mercado, em Guimarães, para três restaurantes vegetarianos e um japonês, eu discordaria imediatamente.

Guimarães é terra de bom comer e isso não pega, retorquiria. Aqui é mais rojões, papas, assados com arrozinho e batatas, acrescentaria ainda, quem sabe até um pouco preconceituosamente.

Mas o que é certo é que no ano de dois mil e sete, isso é o que acontece. É mais um dos traços do crescente cosmopolitismo cá do burgo.

Na zona urbana de Guimarães, que eu tenha conhecimento, há actualmente três restaurantes vegetarianos e um japonês.

Em relação ao japonês, não me vou pronunciar, já que até hoje ainda não consegui “cosmopolizar-me” o suficiente para que conseguisse arranjar coragem. Aí assumo-me como totalmente provinciano e preconceituoso. Pelo menos para já… É que até há bem pouco tempo atrás, também o era, mas em relação à comida vegetariana.

Digo até há bem pouco tempo porque, hoje em dia, vou frequentemente a dois dos restaurantes vegetarianos que por cá há. Só ainda não fiz o pleno porque, sempre que tento ir a um que há no centro histórico, acabo por não conseguir resistir a andar mais uns metros e comer uma boa pasta.

Por isso sinto-me à vontade para falar sobre essas duas casas – uma em frente ao Paço dos Duques, quem desce para o Carmo e outra em frente ao Complexo Desportivo do Vitória – já que o faço com conhecimento de causa.

Tenho de ser sincero e dizer que inicialmente comecei a comer vegetariano por uma questão de necessidade estética (leia-se estava mesmo gordo e tive de ganhar juízo). E mesmo assim com alguma relutância, já que tinha a ideia preconcebida de que aquilo não sabia a nada e era uma mania de alguns intelectuais fundamentalistas da comida. Por essas e por outras, lá comecei a coisa, meio a medo.

Hoje em dia, já não. Faço-o por opção e com alguma frequência. E porque gosto.

E por isso posso dizer que fiquei verdadeiramente surpreendido com a adesão que tem havido a esses conceitos, a priori, tão pouco vimaranenses. Tão surpreendido que este será um assunto que merecerá da minha parte, em colunas futuras, uma análise mais aprofundada.

07 de Dezembro de 2007

Mais do mesmo

Pelo segundo ano consecutivo abandonei o cortejo do Pinheiro. Nem consegui chegar ao Hospital Velho. E por causa do álcool. Não o “meu”, que felizmente tenho juízo e respeito pela tradição suficientes para não alinhar na estupidificação etílica de uma festa que devia ser de Homens.

Começo a achar exagerado. Acho que se entrou numa espiral de estupidez tal, que chego mesmo a temer pelo futuro deste número das Festas. As turbas de futricas e imberbes “não-tocantes”, empunhando garrafas em vez de baquetas, gritando e saltando quais marias-malucas e os destemidos rambos, que vão para “a vila” à procura de confronto físico, deixam-me reticente quanto à noite com que tanto sonhei em pequeno.

É hoje incontrolável. Totalmente incontrolável. Já em mil novecentos e noventa e dois, ano de má memória (o ano da célebre revolta dos bois), o era. Volvidos quinze anos, mais ainda.

Enquanto num cortejo, por exemplo, de uma Queima das Fitas, os grupos estão divididos em faculdades, cursos e anos, aqui não. Os grupos, que no Cano têm cada um um chefe de bombos, vão-se misturando. E há até grupos que se querem misturar à força toda. Até que já não há grupos e a confusão reina.

Demorei mais de duas horas a chegar ao Hospital Velho. E cheguei ao Cano por volta da meia-noite. Fiz as contas e àquele ritmo seria enterrado por volta das dez da manhã.

Como a essa hora tinha uma reunião… não dava mesmo.

Mas nem tudo foi mau. O meu jantar de Pinheiro, por tradição, é na companhia de antigos elementos das Comissões de Festas, logo gente que sabe – e bem – o que são as Nicolinas.

Tocámos, da Rua de Camões à Madre-Deus, passando pela Tulha e com a paragem obrigatória na Estátua do nosso Afonso, perdoem-me a imodéstia, muito bem. Comemos bem. Bebemos bem. Convivemos.

Tive um Pinheiro fabuloso… o que estragou mesmo foi o cortejo.

Uma sugestão

Da conversa com um velho nicolino e amigo da família, abordando a temática do ponto acima, nasceu uma ideia que gostava de partilhar com os caros leitores.

Se nos moldes actuais é impossível programar o cortejo, não seria melhor ir o pinheiro a abrir o cortejo e os participantes atrás.

Há um ponto que me parece pacífico: Pior não é de certeza.

E já que tanta coisa mudou na tradição desta noite, não vai por certo ser esta alteração na ordem de desfile que vai “estragá-la”.

Azurém ficou mais pobre

Quem, como eu, tem alguma afinidade com aquela freguesia vimaranense, não pôde ficar indiferente à notícia do falecimento do Sr. Jesualdo.

Figura incontornável da vida autárquica e muito querida pelas pessoas da freguesia. Foi o rosto do CDS durante vários mandatos.

Tinha por ele uma grande estima e é com imensa pena que o vejo partir. E quem me conhece sabe que não costumo embarcar nas conversas cínicas do “agora que morreu, era um tipo estupendo”. Quando o faço, é sentido.

Deixo as minhas condolências à família, muito em especial aos filhos.

Como deve ser bom ter tempo de sobra…

Este sim era um presente de Natal que eu gostava mesmo de receber. Tempo. E o que é que eu fazia com ele? Nem sei. Mas que deve ser óptimo ter tempo para ser picuinhas e andar por aí a desenterrar coisas que não interessam a mais ninguém, isso deve.

Ter tempo para gastar. Gastar da maneira que me apetecer. Tempo até para ser obstinado.

Mas, tenho de me mentalizar que – felizmente, apraz-me dizer - não o devo ter tão cedo.

Entretanto invejo as palermices que faz quem o tem…

O altruísmo

Não consigo deixar de esboçar um sorriso quando sei que algumas pessoas não gostam do que escrevo. Sinto imediatamente que estou no bom caminho. É uma questão de definição de público-alvo. Principalmente quando, mesmo não gostando, me continuam a ler.

Com estas banalidades que aqui vou escrevendo, enquanto for essa a nossa (do NG e minha) vontade, sinto que vou ajudando muito boa gente a ter assunto.

Encaro-o como a minha boa acção.

Essa sensação altruísta de felicidade só tem paralelo (e quiçá seja até superada) quando me querem dar lições de moral. Então aí, é a loucura. Rejubilo.

Principalmente quando os vejo em bicos de pés e a ver como me hão-de chegar. E depois, a meio de supostas “lições”, estala o verniz e desatam a caluniar.

Cada “crítica” dessas é uma medalha para mim.

É que eu sei bem que… a caravana passa.

A bota e a perdigota

Um espaço que já foi uma emblemática casa de diversão nocturna de Guimarães, mudou de nome. E provavelmente de gerência.

Naquela casa antiga na Quintã, onde funcionou um bar/discoteca que se chamava Século XIX, vai abrir agora o La Movida Beach.

Na mesma casa. E com a mesma esplanada, com aqueles toldos tão marcantes. La Movida quê? Ali?

Baralhados? Pois… Também eu. Ainda não sei o que vão fazer para que o espaço “cheire” a praia, mas para já fico um bom bocadinho, de pé atrás.

É que se ficar tão bem como o reclame luminoso que plantaram, em cima do granito que fica à entrada do parque… até já tenho medo.

sábado, dezembro 01, 2007

30 de Novembro de 2007

Nicolinas

Chegada esta altura do ano, vem também a nostalgia. E com ela a triste constatação de que os anos voam. Prepara-se o jantar do Pinheiro, vão-se confirmando presenças e lamentando ausências. A rotina repete-se. E os anos passam.

Mil novecentos e noventa e dois. Há quinze anos atrás fui da Comissão de Festas. O tempo é implacável. Tudo vai mudando a uma velocidade vertiginosa. Tudo, ou quase tudo.

Ainda bem que sou vimaranense. Ainda bem que temos destas tradições. Que bom é ter elementos de diferenciação dos padronizados e pobre espectáculos académicos que se vêm por aí…

Ainda bem que há gente que faz alguma coisa para que a tradição se cumpra.

E como eu gostava que os números fossem mais participados pela comunidade. Que os estudantes participassem mais no Pregão e nas Maçãzinhas. E que a população saísse à rua assistindo a cortejos gloriosos.

Para que a tradição, por cá, continue a ser o que era.

Mas este ano a Comissão de Festas inovou. Deslocalizou a Roubalheira para a cidade do Porto e convidou um artista para fazer de gatuno. O artista não se fez rogado. Houve mesmo:

Roubo no Bessa

Por falar em tradições que se cumprem, não sei porquê, vem-me à cabeça a frase Roubo no Bessa. E o nome Lucílio Batista. E por associação, escândalo.

E mais ainda o escândalo que não se fez. Tivesse esta escandaleira ocorrido com algum dos três chamados grandes e a tinta que não tinha corrido durante esta semana que ora finda. Mas como até foi connosco, tudo está bem e importante mesmo é escrever sobre as desavenças entre Soares Franco e Carlos Queiroz e as sondagens que dão o Mourinho como preferido para seleccionador inglês.

Que nervos me mete este país às vezes. E que nojo que me mete a maioria da imprensa nacional, principalmente quando se trata de futebol.

Fomos espoliados de três pontos. Foram-nos furtados escandalosa e propositadamente e com agentes da polícia a assistir.

E mais não se ouviu ou leu que meia dúzia (somando todos os jornais e rádios) de frases ou linhas sobre o assunto.

Assim acaba-se com o futebol. Assim serão os homens do apito eternamente a decidir resultados. Assim o jogo não presta e os melhores não ganham. Assim é um nojo.

Já não se pode sequer ir ver os incêndios

Esta pérola ouvi-a eu. Não foi ninguém que me contou. Há uns dias atrás, na baixa do Porto, aquela que deveria ser a abertura ao público de um novo centro comercial foi adiada porque um curto-circuito provocou um pequeno incêndio, mas com grande aparato.

Centenas de pessoas concentravam-se atrás das barreiras, criadas pelas forças da autoridade para criar condições de trabalho aos soldados da paz.

Indignados, dois reformados recuavam, rua fora, quando um deles se sai com este desabafo, o do título.

Deve ser culpa dos de Lisboa…

domingo, novembro 25, 2007

25 de Novembro de 2007

Viva a liberdade!

sábado, novembro 24, 2007

23 de Novembro de 2007

Jorge Palma

Por ocasião do aniversário do Pavilhão Multiusos de Guimarães, decidiram os responsáveis da Tempo Livre – e muito bem, na minha humilde opinião – que a efeméride merecia ser comemorada com pompa e circunstância. Vai daí, Jorge Palma em Guimarães.

Tomei imediatamente a decisão de adquirir o meu bilhetinho. Seria, por certo, dos concertos em que conseguiria, de cor, cantar quase todas as músicas (para mal dos pecados dos meus vizinhos de cadeira).

É que já vem muito de trás o meu gosto pela música do Jorge Palma. Seria uma constante numa “banda sonora” (em havendo semelhante coisa) da minha vida. Já fui feliz ao som de Palma. Mas também já o ouvi, triste.

Ao chegar ao Multiusos achei invulgarmente fácil estacionar o carro. Comecei a temer o pior. Casa vazia, pensei eu. E ficava desiludido. A sério que ficava. Às vezes dá-me para estas coisas. Sou assim meio sentimentalão. Era como se corresse mal uma festa de um amigo. E ao Jorge, que já ouvi mais que à maioria dos meus amigos, acho que merecia ter uma boa casa. Gostava mesmo que tivesse. Pela coerência e perseverança na carreira. Mas entre ter uma carreira ou ser um Carreira… vai a diferença entre encher um pavilhão, ou nem por isso.

Quando chego à sala, vejo que houve algum cuidado em minimizar a adesão abaixo das expectativas – pelo menos das minhas, que sou um eterno optimista – dividindo a nave a meio, para que o vazio não enchesse tanto a sala.

Nas laterais, meia casa. Nas cadeiras de plateia, quase cheio. No geral, pode-se dizer que estava assim-assim. Meia casa. Assim como de meia, mas idade, era a assistência, conforme seria de esperar, que, maioritariamente, nos trinta começava. O fenómeno “Encosta-te a mim”, que deu pela primeira vez a platina a Jorge Palma, não se fez, ainda, sentir. Era notório um conhecimento generalizado da carreira de Jorge Palma na assistência, que tanto trauteava o “Dormia tão sossegada” como o “Só”. Algo entre os que cresceram com ele e os que com ele envelheceram.

Foi um concerto longo, sem encores, com o artista acompanhado pelos excelentes “Demitidos” a percorrer as décadas de carreira, com muitas recordações (excelente versão funk do “Frágil”, por exemplo), bem como com algumas músicas mais recentes, quer do último “Voo Nocturno”, quer do “Norte”.

Por uma questão de gosto pessoal, para que tivesse sido mesmo um concerto de discos pedidos, só faltou mesmo “Terra dos sonhos”, “Jeremias o fora-da-lei” e o sublime “Lado errado da noite”.

Globalmente, saí muito satisfeito. No entanto, para ser correcto, tenho de dizer que houve alguns pontos de que não gostei mesmo nada.

A colocação das colunas, laterais ao palco, por exemplo, impedia uma boa visualização do palco a todos quantos não conseguiram bilhete nas filas centrais de cadeiras.

O monólogo muito repetitivo e por vezes roçando o apalermado, do artista, dando inclusive a sensação de que o, esperado, estado ébrio foi propositadamente exagerado, quiçá por uma questão de imagem de marca…

E por muito que me custe, esperava mais algum profissionalismo. Houve uma frase, que Jorge Palma disse entre músicas, de que não me consigo esquecer. “Sinto-me feliz por poder fazer um ensaio com tanto público”. Eu, por acaso, senti isso. Senti-me a assistir a um ensaio geral dos concertos que Palma vai dar nos Coliseus.

Mas talvez tivesse elevado muito a fasquia. Ou talvez, a não se enganar nas letras e a ser mais profissional, não fosse, simplesmente, Palma.

Nós, os localistas

Disse-me um amigo que um colunista do Correio da Manhã, achou uma expressão minha, que, supunha ele, era relativa à regionalização, sintomática de um localismo onde “não importa se o todo (incluindo a minha parte) está mal desde que o meu vizinho não pareça ficar em melhor situação do que eu.”

Meu caro. Não creio que tenha percebido bem o que eu quis dizer e não me parece que essa argumentação me vá convencer do contrário.

Eu sinto-me vimaranense. Não me sinto minhoto ou nortenho. Nem me lembro de tal coisa. O meu comentário queria dizer, exactamente aquilo que lá estava. Não era referente a regionalização nenhuma. Falava na generalidade, abstraído da interpretação política que o mesmo poderia ter.

Mas se quer mesmo saber, não sou regionalista. E não reconheço ao Porto ou a Braga – e respectivas classes políticas – qualidades que me façam querer suspirar pela sua ascensão. Vejo melhor por cá. Mas ainda assim, mal por mal, prefiro ficar como estou. Incompetência por incompetência, que se mantenha – e este mantenha tem o sentido amancebado da coisa – apenas uma, a actual, a centralista, que já sai bastante cara.

Não tem nada a ver com invejas ou não querer que eles não pareçam estar melhor que nós. Isso é redutor. Isso soa-me a argumento de bracarense ou de portuense…

Gostei, no entanto de saber que, por aí, lêem jornais “localistas”, de cá, da invejosa província. Não gosto tanto é quando fantasiam, tentando interpretar as coisas que escrevo de modo tão simples e directo. O que disse e volto a dizer foi que sempre que me falam em Minho, penso que lá vêm os bracarenses com “ela fisgada”. E quando me falam no Norte, de certeza que no seguimento vão falar na “sua capital”.

Nada de novo, não é verdade?

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