sexta-feira, maio 04, 2007

4 de Maio de 2007

25 de Abril, Sempre (a mesma coisa)

Nesta altura do ano dou por mim, repetidamente, a lembrar-me num sketch do Herman José – já lá vão uns anos largos – o do “25 de Abril, Sempre”. Não sei ao certo se era no Herman Enciclopédia ou em algo ainda mais antigo, mas, para mim, aquele foi um dos melhores sketches humorísticos a assisti na televisão portuguesa. Via-se um calendário na parede. Data: 25 de Abril. Depois, alguém arrancava a folha. Por baixo, sempre a mesma data: 25 de Abril. Outra folha. E mais outra. E ainda mais outra. Todas elas com o número 25. Por fim, o epílogo, em jeito de grito revolucionário: 25 de Abril sempre!

Não é por nada… mas já começa a cansar um bocadinho. As comemorações do 25 de Abril necessitam de uma revolução, urgente.

Ele é cartazes com cravos para aqui, palestras antifascistas para ali, música de intervenção acolá, o filme com o Joaquim Almeida na SIC (já parece o Música no Coração no Natal), o Otelo e quejandos ressurgem, tiram o naftalinoso fatinho do armário e lá temos nós de levar com eles. Por cá, felizmente ainda não os vi, mas até deve haver quem pinte murais.

Eu, mesmo sabendo que, ainda mais nesta altura, me estou a pôr a jeito para levar já uma data de reaça (o que já nem é novo para mim, que defendi já nesta coluna que, a festejar-se um 25, que fosse o de Novembro, que se dependesse só de Abril…) assumo que já não há pachorra.

Estou farto das homenagens aos capitães de Abril, alguns dos quais deviam estar era presos, não fora a amnistia do “amigo” Soares. Estou cheio do Mário Mata, da Grândola Vila Morena, do Paulo de Carvalho e do Sérgio Godinho. Noutra altura do ano, até é capaz de me apetecer ouvi-los, mas por obrigação, não. Todos os anos a mesma coisa.

Há uns tempos atrás, compartilhei convosco a minha indignação perante a falta de imaginação dos redactores dos noticiários portugueses, com aquelas noticiazinhas, na Serra da Estrela, quando neva.

Por aqui, mais do mesmo.

25 de Abril vs. 24 de Junho

Mais uma vez, tive de ser alertado para a necessidade de antecipar a entrega do artigo em 24 horas. Não me lembrava. Eu, como aliás já é meu costume, faço sempre questão de trabalhar no feriado. Quanto mais não seja porque, tenho para mim, que esta data não é merecedora de ser feriado nacional, quando o Dia Um de Portugal, data da fundação da nossa Pátria, é apenas e só uma data festejada no nosso burgo.

Como está agora muito em voga, comparar o incomparável, até me apetece imitar as virgens (?) ofendidas, que após a vitória de Salazar no concurso dos grandes portugueses da RTP, achavam que aquilo já não tem validade nenhuma porque não ganhou quem eles achavam que devia ganhar.

Então, para mim – e no mesmo reino do disparate pós concurso – é assim: Enquanto o 24 de Junho não for feriado nacional, não se devia festejar mais data nenhuma, nem mesmo o 25 de Novembro.

Eu sei que parece um argumento perfeitamente disparatado, mas como vimaranense bairrista e português nacionalista não consigo evitar.

Já que se fala de 25 de Abril

O edil de Santa Comba Dão proibiu a romagem à campa de António Oliveira Salazar, para evitar confrontos como os que aconteceram a 3 de Março, aquando de uma manifestação contra e pró-Salazar, a propósito da criação de um museu dedicado ao antigo ditador. Disse ainda, segundo a imprensa nacional, que Santa Comba dispensa este tipo de manifestações, democraticamente. (o democraticamente fui eu que adicionei)

Aqui está um dos paradigmas do 25 de Abril.

Somos democratas. Muito democratas. Romagem à campa de Salazar, é que não.

Note-se que a “União dos Resistentes Antifascistas” – nunca tinha ouvido semelhante – que foi quem causou os confrontos que levaram à proibição, democraticamente (outra vez), regozijou-se pela decisão da Câmara que, num gesto de verdadeira tolerância e democracia restringe um direito de visitar uma campa por receio de distúrbios, causados por quem depois de conseguidos os seus intentos, se regozija. Moral da história: Vale a pena ser arruaça.

Como dizia o outro, assim vão as glórias do mundo.

25 de Abril, sempre… Pois. Está bem.

Este texto devia ter saído na semana passada, não fosse um erro informático – que a mim ninguém me tira da cabeça que foi um erro antifasciscta, pá – que fez com que um texto meu saísse repetido duas semanas.

Decidi mantê-lo, apenas acrescentando os parágrafos que seguem abaixo. Aos leitores, as minhas desculpas.

1. Nem de propósito, o discurso do presidente da Republica no dia 25 de Abril foi um pouco de encontro ao que aqui defendo. Desta maneira, mantendo as comemorações como estão, vão conseguir fazer com que o que de bom Abril trouxe, não passe para as novas gerações. Não tarda muito, Abril mais não será que uma reminiscência apenas existente no anedotário televisivo, lembrado apenas pelo léxico antifascista “pá”, tão em voga nesta altura… camaradas.

2. Afinal sempre houve romagem em Santa Comba. Não encontraram fundamento legal para a impedir. Os manifestantes de esquerda não apareceram. Acho que estavam ocupados em Lisboa a tentar assaltar a sede do PNR, encapuzados e aproveitando, democraticamente, porque os fascistas estavam em Santa Comba Dão, para agredir uns polícias e partir umas montras no caminho… Foi boa a festa, pá!

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