16 de Maio de 2008
O ano do Vitória
Quem diria que há pouco mais de um ano atrás estávamos mais perto da II Divisão do que do regresso ao nosso lugar natural? E que já tínhamos o título de voleibol, a Taça – e a possibilidade do título da Proliga – de basquetebol, títulos no kickboxing, natação e possibilidade de subida de divisão no pólo aquático?
Quem, no seu mais optimista prognóstico, arriscaria dizer que o Vitória esta época passaria grande parte do tempo na segunda posição e só dela foi arredado por erros grosseiros (para não dizer que foram propositados, se não, um dia destes, não faço outra coisa que não seja andar a levar com processos) dos árbitros nas jornadas decisivas?
Que jogo memorável. Que momento lindo. A euforia. O êxtase de quase trinta mil num estádio. Os nervos do início da segunda parte. O golo do capitão. Ou melhor, o golão do Capitão. Com maiúscula, porque merece. O Andrezinho cheio de intenção de cruzar muito bem, a marcar o golo da noite. O Alan que, cumpriu a promessa de marcar. E as substituições. Nilson e o merecido aplauso. E a apoteose com a substituição de um que, hoje ninguém duvida, é dos nossos.
E o hino da Liga dos Campeões. Aquela musiquinha que até já no meu carro anda a tocar, para me ir habituando. E o voltar a ouvir a música do Dino, enquanto se festejava, acabada e enterrada que está a era das trevas e da caça às bruxas, em que essa música estava no Índex.
E o mais bonito de tudo foi festejá-lo com o meu filho ao colo. E o meu irmão ao lado. E com mais amigos. Abraçados. A chorar. Velhos, novos, mulheres e crianças. Chorou-se onde já há dois anos se havia chorado. E ver o meu filho, enquanto as lágrimas me escorriam, perguntar-me porque é que estava a chorar se o Vitória tinha ganho 4-0. E a resposta dele, quando lhe disse que chorava de alegria, que também queria chorar de alegria pelo Vitória.
Um muito obrigado a todos quantos tornaram possível esta tão rápida recuperação do nosso clube à “alta-roda” do futebol europeu. Sim, porque isto não é com atitudes parolas de novos-ricos que pensam que é vestidos com marcas da cabeça aos pés que se vai lá. As calças têm de condizer com a camisa e o casaco com os sapatos. E serem confortáveis. Não basta serem de marca, ainda que já coçados. Têm de combinar. E vestir bem. E calçar melhor.
Nós, com sapatinho nacional, um fatinho modesto, tecido comprado à medida em armazenistas e mandado fazer na alfaiataria Cajuda... mostramos ao mundo do futebol que com rigor e trabalho se pode chegar lá.
Deixei para o fim e em especial, um grande abraço ao nosso presidente, que desde a primeira hora apoiei e em quem sempre acreditei. Muitos parabéns Milo.
Mãos à obra, que o trabalho ainda agora começou. O Vitória do futuro começa agora. Afinal conseguimos mesmo um Vitória de Primeira!
Vacuidades e banalidades
- Olá então como está?
- Nunca pior… Nunca pior.
- Vai-se andando, não é? O tempo também não ajuda.
- Pois. Já viu isto? Tão novo o rapaz… Era tão bom moço.
- Antes assim. Ao menos não sofreu.
- Ainda no fim-de-semana estive com ele. Há coisas incríveis.
- Lá isso é. E com o mundo como está… Acho que se está melhor lá do que cá.
- A verdade é que dantes se morria de velho.
- Para morrer basta estar vivo, é bem verdade.
- Já dizia o outro, só não se pode fugir à morte e aos impostos.
- Acho que vai começar a missa.
Quem nunca assistiu a um diálogo, se não igual, pelo menos idêntico que dê um passo à frente. Dá-se tão pouco valor ao silêncio, hoje em dia. Há um receio enorme do vazio. Do não fazer nada. Não se sabe estar sem se estar a “fazer alguma coisa”. E mais ainda de estar sem se falar. Sem som. Daquilo que, em rádio, se chama de branca. Mas não devia. Muito pelo contrário. O silêncio, esse bicho papão, há alturas em que deve ser mesmo de ouro. No mais das vezes, mais vale estar calado do que estar a debitar clichés que se repetem a cada situação análoga.
Por exemplo, digo eu, que devia ser regulamentado que, nos funerais, nem se devia falar. Primeiro porque não há muito para dizer nestas alturas, a não ser, no limite, uns discretos votos de sentidos pêsames. E um abraço sentido. Tudo o que vier a mais é folclore. E perfeitamente desnecessário. Espremido, vale muito pouco. Ou mesmo nada, como o ridículo diálogo transcrito acima.
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